Mensagem de Páscoa

MENSAGEM DE PÁSCOA

A palavra “Páscoa” vem de passagem. Lembra a saída do povo escolhido, escravo em terras do Egito. Moisés, a pedido de Javé, os libertou da opressão do faraó e os conduziu, durante quarenta anos à terra prometida, levando-os pelo deserto, há quarenta séculos. Até os dias de hoje, no entanto, os judeus ainda comemoram este feito de Deus. Para os cristãos, esta palavra está associada à Última Ceia, ao julgamento e condenação à morte, seguida de humilhante e derradeira caminhada pelas ruas de Jerusalém, carregando seu fardo nos ombros em carne viva. Estes ferimentos foram provocados pelos açoites e crueldade, daqueles que descarregaram, no “bode expiatório”, seus rancores, mágoas e revoltas.

Nesta semana eu meditei sobre qual seria minha atitude se tivesse vivido naquele tempo e fosse um soldado romano, ou alguém da mesma raça de Jesus, e me sentisse ameaçado pelo seu carisma. Não sei dizer se, este mesmo carisma, teria me tocado e me resgatado do ódio do mundo. Quem sabe teria meu coração fechado e também descontasse esta insensibilidade no Cordeiro Pascal?

Há dois mil anos destes eventos, vendo a meu lado, todos os dias, pessoas doentes, desempregados, crianças com fome, dormindo à minha porta, não faço o mesmo que os judeus e fico indiferente ao sofrimento alheio? São cristos de todas as raças e condições sociais. Talvez alguns sejam bandidos, assassinos frios. Talvez sejam mães adolescentes, que nem sabiam o que faziam e suas conseqüências. A miséria do mundo nada tem a ver comigo, de classe média alta, com educação, teto e carro. Não uso estas coisa como o centurião romano? Ele não infligia o castigo por vontade própria, por pura maldade, mas em cumprimento do seu dever. Eu também cumpro o meu dever cívico. Pago meus impostos e obedeço às leis. E me pergunto: a Páscoa, onde fica? Um dia, talvez, depois da morte de Jesus, o soldado pode ter parado e pensado no que fez àquele homem. A lembrança do crucificado o tenha tocado e o movido a fazer algo, em reparação ao seu erro.

O Mestre disse à assembléia que lhe apresentou uma adúltera para ser apedrejada: “Que atire a primeira pedra quem não tem culpa”. Podemos atirar a primeira pedra?

Betinho, de saudosa memória, contava a história do beija-flor que voava ao rio, colocava algumas gotas de água e ia de volta, para ajudar a apagar o incêndio da floresta Eu faço como o pássaro? Mesmo que com apenas uma gota de água no bico, ele fazia a sua parte. Eu faço a minha?

É verdade, vivemos numa democracia, temos presidente, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Eles são os mais responsáveis pelos desamparados da sociedade; mas nós, como sociedade, somos seus eleitores. Se há isto causou um desnível social, não temos o direito de pensar: “farinha pouca, meu pirão primeiro”!

Desejo que nesta Páscoa, dia 4 de Abril de 2010, tomemos todos uma atitude de meditar sobre qual é a gota de água, de que disponho, para apagar o incêndio da violência. Eu já descobri a minha: Deus me deu talento para colocar no papel os sentimentos nobres de solidariedade, inspirados pelo Amor. Eu o usarei para fazer alguma coisa; para ajudar a pelo menos uma pessoa. E você? Pense no seu talento, que o próximo tem pressa e necessidade de recebê-lo.

Feliz Páscoa

Gilda Porto
Enviado por Gilda Porto em 01/04/2010
Código do texto: T2171565
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