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Metade

E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos nem a boca.
Porque  metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza
E que a pessoa  que eu amo seja para sempre amada, mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo, não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora, se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso
e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que eu me lembre ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é
AMOR
e a outra... também.
Laís Croti
Enviado por Laís Croti em 14/11/2006
Código do texto: T291268
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Sobre a autora
Laís Croti
Maringá - Paraná - Brasil, 27 anos
22 textos (8387 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 02:48)
Laís Croti