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Nosso despertar


Na manhã seguinte, lá estava eu, sem rumo, perdida e fraca.

Queria ficar deitada e esquecer que o dia havia acontecido.

Queria ter certeza de que nada que sentia no momento era verdade.

Sentia-me realmente fraca, sem forças, sem braços,como se ao estende-los não pudesse alcançar nada. Estava perdida, como um rato no meio do labirinto, não sabia se alguém viria me ver ou se estava só, abandonada.

Tantas coisas giravam em minha cabeça, tantas lembranças, tantos fatos absurdos e irreais. Talvez não fossem tão irreais, pois, as suas lembranças me causavam vômito, enjôo, náuseas. Procurei reagir, levantar mas não conseguia

minhas pernas não obedeciam ao comando de meu cérebro, tentei várias vezes este ato tão trivial, mas parecia que estava aleijada. Não havia comando que desse que processasse o erguer de meu corpo tão fraco do leito, tudo ao meu redor cheirava a flores mas, mesmo assim queria sair dali, correr, me esconder...

o tempo passava e tudo em minha mente eram lembranças, caos, remorsos, tristezas ...

Dias e noites infinitos entravam e saiam e ninguém vinha me socorrer, tentei gritar varias vezes...as palavras não saiam, estaria muda? perdi minha voz?

Enquanto me debatia, só conseguia me afundar cada vez mais em meu leito, como se pesos fossem acrescidos ao meu corpo pálido, cansado, enfermo. Nada poderia me tirar deste torpor, deste tormento infinito...meu calvário! Lembrei que sabia rezar e que quando necessitava, quando lembrava, nas horas de aflição, chamava por Deus e foi assim que comecei minha redenção. Quanto mais rezava, mais a calma preenchia minha alma, as luzes ao redor já não feriam meus olhos, podia olhar em sua direção e me emocionar com tanta beleza. A docilidade e o perfume das flores já não me causavam nojo, apenas elevavam meu espírito a um recanto de paz, onde os pássaros voavam baixo e pousavam em minhas mãos. Já conseguia mover meu corpo que possuía luz própria e leveza suficiente para levantar, foi quando percebi que alguém se aproximava de mim. Não tive medo, pelo contrário, meu coração se encheu de alegria, como se aquele ser fosse alguém muito amado, como se fosse alguém muito conhecido e que me trazia muitas saudades.

Ao me aproximar pude confirmar tanta sintonia, pois era meu protetor, meu guia, meu irmão de jornada, nossas mãos se uniram e pude me levantar e sentir que estava liberta das teias de minhas lembranças, todas as amarras haviam sido partidas, quebradas e não mais havia dor. Meus olhos estavam repletos de lágrimas de amor por aquele ser que tão docilmente veio ao meu chamado, procurei nada falar, mesmo porque não seria preciso.

Meu coração sabia que estava indo pra casa e que estaria guardada nos braços amorosos de Deus.

Descobri que a felicidade mora dentro de cada um de nós e que só é palpável no momento que passamos a ter fé e acreditamos em nós mesmo e em tudo que faz parte da criação divina, descobri que não sou um corpo, que não sou um pouco, que não sou só eu.

Somos tudo, somos o Todo e assim, somos Deus!!!


 

07/03/2006

Pisicografia
Pelo Espírito de Lourdes

Joana de Cadmo
Enviado por Joana de Cadmo em 17/11/2006
Código do texto: T294199

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Sobre a autora
Joana de Cadmo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
17 textos (1113 leituras)
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Joana de Cadmo