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GUARDAI AS CARTAS

GUARDAI AS CARTAS



Coisa boa é pegarmos as cartas antigas e lê-las novamente.
Elas falam de uma realidade e dentro de uma época.
Elas fazem-nos rir e fazem-nos chorar.
São verdadeiras fontes de recordações documentadas.
São sinais de vidas passadas e marcadas nos corações chorosos.

Seu José Bento, num dia desses, abriu a sua caixinha
Que vinha guardando há muito tempo.
Seu objetivo era jogar fora um tanto de suas cartas.
Pois envelheceram e eram inúteis, estavam ocupando lugar.
Ele foi olhando uma por uma e foi sentindo o desejo de lê-las de novo.
Automaticamente começou a leitura daquelas cartas carregadas de ácaro e saudades.
Foi folheando uma por uma e vendo os grandes acontecimentos que a amizade tinha causado.
E ele foi encontrando em cada uma das cartas, surpresas e delícias,
Parecia que seu coração nunca tinha sentido aquelas sensações antes.

Velhas cartas! Longínquas mensagens de amizade, carinho, amor...
Seu José Bento começou a sentir as sensações da juventude, dos tempos de outrora,
seu coração começou a pulsar mais forte, mesmo já envelhecido, mas feliz.
Eram cartas e cartas carregadas de calor humano, de alegria e satisfação.
Muitas traziam notícias que ficaram no tempo e de pessoas que já moram com Deus.
Seu José Bento não eliminou nenhuma das cartas!
Pois elas traziam sonhos que há muito tempo já tinham se acontecidos.
Ele percebeu que tinha nas mãos uma verdadeira relíquia do passado.

Velhas cartas!
Uma delas era toda especial, tinha vindo das mãos de Terezinha,
Uma mocinha na flor da idade, agora, uma senhora
Que mora bem distante com sua família constituída.
Terezinha na época da carta andava faceira pelas estradas do areão,
Em tardes de domingo, depois do futebol da beira do rio.
Ela gostava muito de ficar debaixo do pé de Jatobá ao cair da tarde
Só para ver seu José Bento, caboclo bonito e espigado passar.
Debaixo do rei Jatobá, Terezinha escrevia as suas cartas para José Bento,
Inclusive a carta envelhecida pelos anos que ele, no momento, tinha nas mãos.
Outras cartas eram notícias dolorosas, como aquela que contava a morte de Seu Lindolfo.
Outras falavam de lorotas, de sonhos, de fantasias do passado.
Cartas com escritas azuis, rosas, pretas, as mais antigas à tinta e pena,
as mais recentes a lápis ou à caneta...
Cartas de notícias familiares, de amor, cartas felizes, cartas tristes...

Guardai as cartas!
Elas falam de coisas que jamais serão sepultadas!


Acácio










 
Acácio Nunes
Enviado por Acácio Nunes em 27/11/2006
Código do texto: T302825
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Sobre o autor
Acácio Nunes
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil, 56 anos
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1 e-livros (5 leituras)
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Acácio Nunes