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''A Terceira Visão''

Um pobre faminto desde a muito perambulando por ruas e becos, desejoso de nutrir-se, pensou:
-"Bem que poderia achar alguns trocados, assim, em lugar de pedir teria com o que comprar alguma coisa para amenizar esta minha fome!''.
Em sua solidão desnutrida, veio-lhe a mente que para realizar-se tal pedido, alguém teria que perder!
Neste seu silencioso mundo, uma voz falou mais alto, a voz do seu coração!
- ''E se esse infeliz, fosse algum ser mais pobre e faminto do que eu?''
  Em sã consciência e limpo de alma desejou que seu pedido não se realizasse e continuou pela vida...
Vivemos e esperamos que nossos gestos sejam notados! Que nossas obras sejam admiradas e aplaudidas. Na maioria das vezes, isto e aquilo não acontece amparados por mil motivos encravados na vaidade humana! Frustrações, raiva, desalinho,..., isto é o que nos sobra!
A quem o viandante acima, gostaria de impressionar com sua nobre renuncia?
Estava só pela vida! Nada nem ninguém ao seu redor!
Quem, senão Deus a presenciar sua miséria e ouvir o burburinho de sua alma?!
Mesmo que adotasse este ser, professar-se ateu, o Criador do Universo o teria como protegido, amado, e, acomodaria sua alma, como se em seu ato desprendido, conscientemente solitário, estivesse embutido o Salmo 23(22) de David:(...)
(2) ''Em verdes prados me faz descansar, e conduz-me às águas refrescantes.
(3) Reconforta a minha alma guia-me pelos caminhos retos, por amor do Seu Nome.   (...)''
O viandante mesmo desconhecendo, guarda no seu íntimo, a essência Divina!
Uma vez nas trilhas do ''materialismo'', na busca incessante do ''acumular'', nos vemos privados dos ''olhos da alma'', a ''terceira Visão'', aquele sentido que herdamos do saber Divino, e, que aos poucos, nesta travessia temporal, vamos tornando-a míope a ponto de leva-la à cegueira permanente, ao abatermos aos poucos suas multifacetas, e por fim, deixando-nos fatidicamente abandonados à pobreza material com seus incontáveis vícios e conseqüências.
Não mais nos importamos com o ser do lado, com suas necessidades, mesmo as primárias sem se satisfazer!
O que nos importa isto, ou que percam centavos ou milhões? O que importa é que sejamos nós os agraciados'' com a sorte, e, encontremos tal produto. Se esta quantia seria destinada à compra de ''ALIMENTOS'' para alguma merenda, ou à compra de ''REMÉDIOS'' para doentes pobres, carentes, ou ainda, que poderiam salvar a vida de algum chefe de família numerosa que só tem a ele como esteio e que sem ele, todos na casa passariam fome, frio, e por fim , perderiam a casa, suas vidas...?
- Que importância teriam estas minúcias?
- O status é o que importa, conta bancária, carros, casas,...!!!
Ao cegarmos os olhos da alma, perdemos nossa ''Ligação Divina''; sem esta vamos indo de encontro com o terror que criticamos, o mesmo que derruba prédios, rapta, rouba, corrompe, mata, provoca guerras ..., e, nos vemos acuados, assustados, amedrontados, pensando:
- Onde irá parar tudo isso meu Deus?
Não imaginamos que também fazemos terror, mesmo que com conseqüências mínimas, ao perdermos o sentido da razão, a lógica e a pratica do bem, norteamos aos outros nossas obrigações e deveres sociais, de cidadania ... acomodamo-nos ... enquanto isto as coisas acontecem e em prejuízo do todo, -do tudo e de todos!
Alguém fará o que eu, munido de poder, mínimo que seja, não fizer ao meu semelhante?
Não! As oportunidades são únicas assim como as conseqüências do ''não fazer'' podem ser trágicas!
Seria como compensar o tempo! Impossível! Ele não volta e nem se repete! É Estático!?
Nós é que passamos pó ele! Tornamo-nos foscos e caímos no esquecimento!
Mas, poderemos operar a nossa cegueira com um ferramental simples, observando a inocência das crianças, o amanhecer, pássaros voando, o por do sol repleto de cores extasiantes, ver a beleza das flores ou mesmo o cair destas; enxergar nas profundezas da terra as raízes de uma frondosa árvore, ...
O complexo Natureza, nada pede nem busca, mas são providos; copiemo-lo ao menos, mudando o que deva ser mudado, conservando o que deve ser conservado
- "mutatis mudandis, servatis servandis".
Saber: - Deus existe?! Crendo ou não, Ele ''É'', está no profundo de nosso ser, tudo vê, tudo sabe, não podemos engana-lo ou muito menos, pedir-lhe misericórdia, uma vez ido para ou ''outro lado''! Ainda que Ele, em sua infinita misericórdia, não mais enxergue nossos pecados, nossa consciência neste estágio, nos condenará! Nossa consciência, ainda que desligada a terceira visão, grava tudo, e um dia fará nosso inventário!
Teremos a mesma sorte daquele viandante?!
Quem sabe?
marinho
Enviado por marinho em 12/09/2005
Código do texto: T49942
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Sobre o autor
marinho
Descalvado - São Paulo - Brasil, 67 anos
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marinho