Aprendi a conviver com a morte desde o momento em que passei a manuseá-la diariamente.
Como já me dizia alguém muito querido, viver é fácil e difícil é conviver.
O dia-a-dia se revela sem assombros e, sim, com inusitadas descobertas.
Como, ser mais forte, invencível, derrotado, cauteloso, amoroso, dócil, hostil às vezes, possuir várias faces do riso as doídas lágrimas em minutos conforme o ambiente; conforme quem está à frente.
A morte sabe ser poderosa usando da delicadeza do silêncio de não explicar nada.
Com os sentidos inúmeros de morrer, enterrei mortos, mortos e, mortos vivos.
Mortos que tanto amei, deixaram saudades, ensinamentos, agradecimentos que jamais vou esquecer.
Vivos que quando enterrei foi para realmente esquecer, recomeçar e, não ter mais história pra contar.
Se morrermos enquanto vivemos, não é sinal de fim e, sim de um novo recomeçar; outro rumo, nova estrada.
O que é realmente difícil é perder e não morrer.
Na simplicidade das palavras, morrer é apenas descansar.
 
 
Helisana Rodrigues
Enviado por Helisana Rodrigues em 21/01/2015
Reeditado em 06/02/2015
Código do texto: T5108793
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