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O homem que cortou as minhas árvores

O homem que cortou as minhas árvores
maria da graça almeida

O homem que cortou as minhas árvores
não se ocupou do esforço da semente,
da extensão da raiz, da magnitude  dos galhos,
da expressão das folhas, do propósito do fruto.

O homem que cortou as minhas árvores
não cuidou da semeadura.
Para o aprendizado ou o treino do plantio
é necessário curvar e quedar-se rente ao chão.
Nem todos estão dispostos a tal submissão.

A construção requer cuidado e responsabilidade.
A destruição é simples, basta uma palavra...
ou uma assinatura,  um olhar,  um gesto, um empurrão.

O homem que cortou as minhas árvores não sabe
dos sacrifícios do crescimento, das penas do amadurecimento,
das perdas do envelhecimento, das dores do sepultamento.

O homem que cortou as minhas árvores
desconhece do tempo, os prejuízos, os benefícios
e, ingênuo ou desavisado,
na chegada ou na partida,
julga que jamais provará das urgências da vida.

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Não só digo do homem que praticou a ação,
refiro-me também àquele que se dispôs
a colocar-lhe às mãos o instrumento da devastação.
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maria da graça almeida
Enviado por maria da graça almeida em 29/03/2005
Código do texto: T8482
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
maria da graça almeida
São Paulo - São Paulo - Brasil
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