Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

MENSAGEM DE GRATIDÃO

   "Quando penso nas bênçãos recebidas, retiro     todas as queixas contra minha vida. Se durante todo esse tempo muito me foi tirado, muito mais me foi deixado, se muito me foi negado, muito mais me foi concedido. Todos os dias e enquanto viver, agradecerei a Deus por haver me dado tanto..."


    Creio que naquela tarde de 14 de março de 1987 aconteceu um fato de suma importância em minha vida que, indubitavelmente, proporcionou um novo sentido ao meu viver.
    Iniciava-se assim, uma nova fase na história de minha vida, de começo difícil, mas gratificante, porque através da dor e do sofrimento que de mim se apossaram pude verdadeiramente encontrar-me com Deus e sentir o seu imenso amor de Pai.
    Como é maravilhoso sentir a presença de Deus em nossa vida, pois somente assim é que podemos perceber o grandioso e real valor em tudo o que nos rodeia.
    Deus nos fala através dos acontecimentos e sinto-me plenamente feliz por haver constatado esta realidade.
    Nada em nossa vida acontece por acaso. Somente aquele que é insensível a Ele, não percebe a sua intervenção.
    Após o acidente, imensas foram as dificuldades que, se fizeram presentes em minha nova vida, isso porque muita confusão havia ainda em mim, provocada por uma vida de muito mais erros do que acertos, onde as pontes estendidas eram insignificantes em relação às muralhas do isolamento e do egoísmo, simplesmente cruéis, nas quais me refugiara.
    No entanto, Deus que nunca nos abandona concedeu-me um pequenino lampejo de inteligência e discernimento, o que fez que, em meio ao sofrimento físico que me afligia, mansamente, no silêncio de um quarto de hospital eu, que distante estava, retornasse aos seus braços misericordiosos.
    Deus não exige que compreendamos o porque de cada dor, mas pede apenas que aceitemos mesmo sem compreender.
    A felicidade, na Terra, se compõe de inúmeras pequenas alegrias que o amor espalha ao longo do caminho da vida. Fala-se sempre que não há vidas felizes, mas apenas momentos felizes na vida. Acredito ser necessário recolhermos as pequenas alegrias que a vida nos oferece,  ao longo do caminho e multiplicarmos com os gestos de amor. Cada gesto de amor é uma flor que plantamos, para que outros a colham mais tarde e, se cada um de nós se esforçar para multiplicar os gestos de amor,  todos haverão de semear e todos haverão de colher as flores da verdadeira alegria.
    Durante esse longo tempo, numa lenta recuperação, na esperança de voltar a andar e, assim retornar às minhas atividades, muito aprendi.
    Aprendi que a paciência é uma força poderosíssima,  a nos ajudar vencer as barreiras e obstáculos que mormente nos apresentam.
    Aprendi que o amor é um ofertório perene, que amar é oferecer-se continuamente e dar-se sem cessar.
    Deslumbrei o amor como uma vela sempre acesa a arder diante do altar da vida, uma chama que arde sem se consumir e que se consome sem desaparecer.
    Aprendi aceitar a dor que muito me visitou e que por muito tempo fez-me companhia e, senti a presença Dele através do amor a superar a minha dor e, descobri que cultivando o jardim da dor nasceram belas flores de amor.
    Descobri que o segredo da felicidade está na arte de dar e não na ambição de possuir e senti que é preciso querer a felicidade, mas sempre dentro dos limites da nossa capacidade de amar.
    É inútil teimarmos em bater em portas que jamais abrirão para nós. Quando se fecha uma porta - da felicidade - abre-se outra, mas muitas vezes ficamos a olhar tanto tempo para a porta fechada que não vemos a outra que se abriu para nós.
    Muita coisa já aconteceu neste período diferente de minha vida. Amizades nasceram, outras se perderam no caminho da distância, muita dor, muito sofrimento, mas também muita alegria, muita fé e muita esperança.
    Neste tempo também foi que descobri o verdadeiro sentido da solidariedade humana, o valor da amizade, a fraternidade, enfim a extensão infinita do verdadeiro amor e, sentindo o amor divino a agir nas pessoas que tanto me ajudaram, dirijo-me, inicialmente a Deus, nosso Pai, para agradecer o privilégio de conceder-me uma nova chance de viver.
    Graças dou a Deus pela solidariedade de minha tão querida classe, meus companheiros de magistério, semeadores do saber e da esperança, mensageiros da verdade e do amor.
    Minha eterna gratidão a todas as pessoas que, através da ajuda material , possibilitaram-me uma segunda cirurgia e,  a todas as pessoas que se sensibilizaram com minha dor e muito rogaram ao bom Deus pela minha recuperação.
    Grato sou a todos que me visitaram, levando uma palavra de carinho e de coragem, de fé e de amor.
    Gratidão às crianças, sinal da esperança de Deus nos homens que, mediante a pureza de seus corações, muito me ajudaram a crer no amanhã e ter fé na vida.
    Enfim, rendo graças a Deus, pelos meios de comunicação, pelas instituições públicas - Prefeituras Municipais de São Joaquim da Barra e de minha querida Ipuã - , pelos meus companheiros da Delegacia de Ensino de São Joaquim da Barra, pelas escolas de nossa região, pelo atendimento magnífico a mim prestado na Santa Casa de Misericórdia de São Joaquim da Barra e no acolhedor hospital Ribeirânia, da cidade de Ribeirão Preto.
    Saibam todos em meu coração e, em minhas orações, toda a minha alma é apenas gratidão a todos e a tudo.

                        Muito obrigado!

                   
Ipuã, 18 de dezembro de 1987.

   
Benevides Garcia
Enviado por Benevides Garcia em 07/01/2008
Reeditado em 31/07/2008
Código do texto: T807231

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Benevides Garcia
Vinhedo - São Paulo - Brasil
459 textos (73127 leituras)
40 e-livros (6117 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/11/14 11:18)
Benevides Garcia



Rádio Poética