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A AMIZADE E CURA E SINAL DO AMOR DE DEUS

A amizade é cura e sinal do amor de Deus

Deus é um grande mistério, principalmente para nós que vivemos na sombra da nossa condição humana que é limitada. Sabemos que existe, mas não sabemos como é. Aliás, de Deus sabemos mais o que não é, que o que é. Deus em sua infinita bondade então, revelou-se a nós, mostrou um pouco como é. E qual é a revelação do mistério de Deus? Jesus Cristo. Ele é Deus acessível a nós; em sua humanidade e ensinamentos mostra-nos como é Deus.

Jesus nos revelou que Deus é amor. Isto é decisivo para que o amemos e imitemos. O amor é o mais real de Deus, em si mesmo e em seu relacionamento conosco. O próprio amor de Deus é misterioso, uma vez que nem sempre sabemos decifrá-lo no percurso da vida. Por isto Deus revelou seu amor em Jesus de tal maneira que não duvidemos dele. Compartilhou conosco as misérias da vida ao encarnar-se, e assumir em tudo menos no pecado a nossa condição humana. Deus revelou de si mesmo utilizando-se de coisas e experiências humanas. Por isso, quando passamos um por uma intensa felicidade podemos prever a felicidade na vida eterna. Podemos compreender o mistério do amor de Deus através do amor humano. Não é que o amor de Deus seja como o amor humano. Ele vai muito além do imaginável, mesmo na forma mais profunda e intensa de amor entre dois seres. O amor que Deus sente por nós é um grande mistério, embora torna-se acessível a nós através da experiência humana de amor. O amor vem de Deus, portanto, sempre haverá o amor de Deus no amor humano autêntico. Jesus veio nos fazer entender o amor de Deus por nós.

Jesus na sua prática do amor privilegia o amor de amizade. Este para Ele era o "maior amor" . A experiência humana nos ensina que a amizade é um componente necessário para todas as outras formas de amor, a fim de que perdurem.

Cada amizade é um grande mistério. Quem nunca se perguntou; porque aconteceu com esta pessoa e não com outra? Ou ainda; porque não tenho amigos? Cada homem precisa da amizade do outro. Isto implica em acolher o outro com todo o seu universo, sem esperar encontrar alguém semelhante a mim, mas exatamente diferente. Essa diferença é um imenso tesouro que precisamos descobrir. Na verdadeira amizade não há rivalidade ou ciúmes. O relacionamento que com um amigo é enriquecedor e libertador. A ajuda ou o sacrificio pelo amigo deve ser totalmente gratuito sem esperarmos recompensas. Devemos "gastar tempo" com nossos amigos e não termos a menor vergonha de nos mostrarmos necessitados de seu auxílio. Não tenha medo de quebrar os muros que o cercam e dizer eu preciso de você!

Este texto é para você ler e trazer para sua vida. Após a leitura faça um momento de oração e não perca tempo em amar.

Eu tenho tempo

Hoje, ao atender o telefone que insistentemente exigia atenção, o meu mundo desabou. Entre soluços e lamentos, a voz do outro lado da linha me dizia que o meu melhor amigo, meu companheiro de jornada, meu ombro camarada, havia sofrido um grave acidente, vindo a falecer quase que instantemente. Lembro-me de ter desligado o telefone e caminhado a passos lentos para meu quarto, meu refúgio particular. As imagens de minha juventude vieram quase que instantaneamente à mente. A faculdade, as bebedeiras, as conversas em volta da lareira até altas horas da noite, os amores não correspondidos, as confidências ao pé do ouvido, as colas, a cumplicidade, os sorrisos... Ah, os sorrisos... Como eram fáceis de surgir naquela época!

Lembrei-me da formatura, de um novo horizonte surgindo, das lágrimas e despedidas e, principalmente, das promessas de novos encontros. Lembro-me perfeitamente de cada feição do melhor amigo que já tive em toda vida: em seus olhos a promessa de que eu nunca seria esquecido. E realmente não fui. Perdi a conta das vezes em que carinhosamente me ligava quando eu estava no fundo do poço. Ou das mensagens que nunca respondi - que ele constantemente me enviava, enchendo minha caixa postal eletrônica de esperanças e promessas de um futuro melhor.

Lembro que foi o seu rosto preocupado que vi quando acordei de minha cirurgia para retirada do apêndice. Lembro que foi em seu ombro que chorei a perda de meu amado pai. Foi em seu ouvido que derramei as lamentações do noivado desfeito.

Apesar do esforço para vasculhar minha mente, não consegui me lembrar de uma só vez em que tenha pego o telefone para ligar e dizer a ele o quanto era importante para mim contar com sua amizade. Afinal, eu era um homem muito ocupado. Eu não tinha tempo.

Não me lembro de uma só vez em que me preocupei de procurar um texto edificante e enviar para ele, ou para qualquer outro amigo, com o intuito de tornar o seu dia melhor. Eu não tinha tempo. Não me lembro de ter feito qualquer tipo de surpresa, como aparecer de repente com uma garrafa de vinho e um coração aberto disposto a ouvir. Eu não tinha tempo. Não me lembro de qualquer dia em estive disposto a ouvir os seus problemas. Eu não tinha tempo. Acho que eu nunca sequer imaginei que ele tinha problemas.

Não me dignei a reparar que constantemente meu amigo passava da conta na bebida. Achava divertido o seu jeito bêbado de ser. Afinal, bêbado ou não, ele era uma ótima companhia para mim.

Só agora vejo com clareza o meu egoísmo. Talvez - e esse talvez vai me acompanhar eternamente - se eu tivesse saído de meu pedestal egocêntrico e prestado um pouco de atenção e despendido um pouquinho do meu sagrado tempo, meu grande amigo não teria bebido até não aguentar mais e não teria jogado sua vida fora ao perder o controle de um carro que, com certeza, não tinha a mínima condição de dirigir.

Talvez, ele, que sempre inundou o meu mundo com sua iluminada presença, estivesse se sentindo sozinho. Até mesmo as mensagens engraçadas que ele constantemente deixava em minha secretária eletrônica poderiam ser seu jeito de pedir ajuda. Aquelas mesmas mensagens que simplesmente apaguei da secretária eletrônica jamais se apagarão da minha consciência.

Essas indagações que inundam agora o meu ser nunca mais terão resposta. A minha falta de tempo me impediu de responde-las. Agora, lentamente, escolho uma roupa preta - digna do meu estado de espírito - e pego o telefone. Aviso o meu chefe de que não irei trabalhar hoje e, quem sabe nem amanhã, nem depois… pois irei tirar o dia para homenagear com meu pranto a uma das pessoas que mais amei nesta vida.

Ao desligar o telefone, com surpresa eu vejo, entre lágrimas e remorsos, que para isto, para acompanhar durante um dia inteiro o seu corpo sem vida, eu tive tempo!

P.S.: Já faz muitos anos que escrevi este desabafo no diário da minha vida. Em parte para aliviar a dor que açoitava minha alma. Hoje, estou casado, tenho dois filhos e todo tempo do mundo. Descobri que se você não toma as rédeas da tua vida, o tempo te engole e te escraviza. Trabalho com o mesmo afinco de antes, mas somente sou "o profissional" durante o expediente normal. Fora dele, sou um ser humano. Nunca mais uma mensagem da minha secretária eletrônica ficou sem pelo menos um "oi" de retorno. Procuro constantemente encher a caixa eletrônica dos meus amigos com mensagens de amizade e dias melhores. Escrevo cartões de aniversário e de natal, sempre lembrando às pessoas de como elas são importantes para mim.

Abraço constantemente meus irmãos e minha família, pois os laços que nos unem são eternos. Acompanhei cada dentinho que nasceu na boca dos meus filhos, o primeiro passo, o primeiro sorriso, a primeira palavra. São momentos inesquecíveis. Procuro sempre "fugir" com minha esposa e voltar aos tempos em que éramos namorados e prometíamos desbravar o mundo. Esses momentos costumam desaparecer com o tempo, e todo cuidado é pouco.

É preciso cultivar o relacionamento como uma frágil flor que requer cuidados constantes, mas que te brinda com sua beleza inenarrável. Nunca mais deixei um amigo sem uma palavra de conforto; ou inimigo sem oração…

Me deixa em paz
Enviado por Me deixa em paz em 20/01/2006
Código do texto: T101644

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Sobre a autora
Me deixa em paz
Fortaleza - Ceará - Brasil
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