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A VIDA COMEÇA AOS 50


     Acredito, como diz o ditado popular, que a vida começa aos 50 anos. É a idade do Condor, com dor aqui, com dor ali, aprendemos a ser mais solidário, mais compreensivo, a amizade tem um sentido diferente. 

     A cabeça está ótima, pensamentos centrados, maduros, mais sensato, não perdemos tempo com brigas, ciúmes e outras coisas do gênero, pelo contrário, temos tempo para aproveitar a vida. 

     Fazemos as coisa mais devagar, saboreando cada etapa, como degustando um bom vinho, pois rápido, além de ser inimaginável, perde-se o sabor das coisas, a melodia da voz, o cheiro da vida ao redor. 

     É a idade do amor cego, só fazemos leitura em Braille, a vista não funciona tão bem, sendo assim, em vez de acariciarmos um corpo plano, liso, rígido, como uma planície, preferimos os altiplanos das celulites, uma barriguinha com montículos de banhinhas aqui e ali, um tobogã feito de dobras de gordurinhas. Nessa idade tudo é mais divertido, o corpo mais parece um parque de diversões. 

     Já conhecemos todos os segredos um do outro, o que gosta o que odeia, vamos direto ao ponto do prazer, da alegria, da satisfação, mas, ainda descobrimos novas emoções, a entrega é mais completa, mais apaixonante, mais verdadeira, mais sincera.

     Somos cúmplices, nos entendemos num olhar, num sorriso, numa palavra, num gesto. A vida é mais valorizada, passa a ter mais significados, mais sentido, somos mais objetivos.  

     Não damos mais ouvidos a fofocas, queixas e reclamações, tão comum nos jovens, pois passamos a escutar menos. 

     O futuro já não se apresenta tão cor de rosa, conseguimos conquistar quase tudo, o passado é relembrado com alegria (se tiverem um bom passado a relembrar). 

     As preocupações passarão a ser com os netos, o jardim, as caminhadas no bosque, no parque no fim da tarde. 

     Descobrimos o valor da pequenas coisas, das pequenas ações, de uma boa companhia, de uma conversa jogada fora com os amigos, estes já são poucos e mais selecionados, pela vida e por nós.

     Não há idade melhor. Eu e a minha mulher nos amamos e nos divertimos, mais do que nunca. Sinto que a amo mais hoje do que quando nos conhecemos e, parece que foi ontem.

     Aconselho aos jovens a aproveitar cada fase da vida, da melhor forma e, se chegar aos 50 anos, verão que a melhor parte da festa ficou por último. 

     Portanto não se desesperem, vão com calma, para chegar lá. 

     Um beijão a todos.
Muniz de Albuquerque
Enviado por Muniz de Albuquerque em 08/06/2006
Reeditado em 21/05/2009
Código do texto: T171406
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Muniz de Albuquerque
São Paulo - São Paulo - Brasil, 62 anos
136 textos (45191 leituras)
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Muniz de Albuquerque