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Em homenagem à SAL - Olimpya Salete Rodrigues - ( poesia de 2001 ) - ATE LOGO, SAL!

Sofrer

Delasnieve Daspet

O humano é a soma de suas contradições.
Cultivamos o sofrimento
Desde a Grécia antiga.
É uma síndrome.

Porque ter de penar para ser feliz?
Quem nos confirma que o premio para tanto sofrer
É de fato a eternidade?!
Esta máxima não deve ser incorporada.
Não devemos ter medo da felicidade.

Não tenho medo de ser feliz.
Gosto de pensar que minha luta tem sentido.
Que me harmonizo comigo.
Que tenho equilíbrio e paz!

A felicidade não se encontra em supermercado.
Não se vende por metro.
Mas é um bem atingível e ponderável!

Melhor perder pelo dito
Do que pelo não dito.
Viver com brilho intenso,
Mesmo que pouco!

Pensando nisso, resolvo - pois,
Abandonar o vazio que me cobre a alma,
Já que sou eu em duas
Ou duas em mim!

Uma face oculta que me subverte!
Outra que me entrega.
Uma que sofre, outra que ri!
Uma que dá, outra que toma!
Uma que sopra, outra que apaga!

Vou já verificar-me
Na dualidade que me domina,
Não vou durar uma eternidade buscando-me!
***06,26 hs - 25-12-2001
Campo Grande MS










PARA DELASNIEVE DASPET (Republicação)

Oi, Delasnieve.

"Porque ter de penar para ser feliz?
Quem nos confirma que o prêmio para tanto sofrer
É de fato a eternidade?!
Esta máxima não deve ser incorporada.
Não devemos ter medo da felicidade."



Este seu poema - "Sofrer?!" - retrata uma preocupação minha. Preocupação principalmente em relação a nós, poetas. Manifesto isso num texto meu que tomo a liberdade de repetir aqui, vista a oportunidade que seu tema oferece:

"O POETA CANTA - O sofrimento gera inspiração. Porque acreditamos nisso, nós, os poetas, corremos o perigo de mergulhar no sofrimento e a ele nos agarrarmos para que a fonte não seque. É bem a história do Assum Preto, a quem furam os olhos para que cante melhor. E isso não passa de crendice e sadismo. O pássaro, tanto quanto o poeta, canta bem tanto na dor como na alegria. Nascemos poetas e poetar é nossa glória. Mas tomemos o cuidado de não nos viciarmos na dor como alimento da inspiração. Nossos momentos de felicidade também merecem ser cantados."

Tenho lido frases poéticas ou frases piedosas como: "o poeta é mais poeta em meio ao sofrimento", "o sofrimento é um privilégio de deus"...

Temo que incorporemos afirmações desse tipo como verdade acabada e cheguemos a desejar ou a cultivar (masoquistamente) o sofrimento natural e ocasional para alimentar uma vaidade, também natural mas que devemos controlar, ou para ganhar um céu na eternidade...

Acho que a busca da felicidade não é apenas um direito nosso, mas também um dever. Diria até que DEVER PRIMEIRO. A alegria e a dor são condições humanas. Ninguém tem o "privilégio" de ter nascido apenas para uma dessas condições...

É bem verdade que a dor nos inspira mais, isso acontece muito comigo. Na alegria, queremos mesmo é curtir, nem sempre nos lembramos de responder à inspiração e dividi-la com o mundo. Já a dor nos impele a isso, pois nos dá a sensação de que, transmitindo nossa dor, ela diminui em nós. É uma pena! Penso em quantas páginas luminosas poderíamos dar ao mundo cantando nossas alegrias, desde as pequenas até aquelas que nos fazem explodir!

Gostei muito se seu poema. Parabéns. Quem sabe ele provoque uma discussão entre nós e resulte numa tomada de consciência.

Beijo.

Sal.

25/12/2001
Delasnieve Daspet
Enviado por Delasnieve Daspet em 11/06/2006
Código do texto: T173653
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Delasnieve Daspet
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 66 anos
654 textos (28508 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 02:08)
Delasnieve Daspet