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SÓ RESTARAM SAUDADES E LEMBRANÇAS

Meu avô  querido, homem alegre extrovertido sua presença era sempre marcada por uma boa conversa muitas risadas e sem deixar de lado o repente que era o seu referencial, nunca faltava assunto para fazer suas cantigas divertidas.
Sempre vi neste homem, meu vovô paterno alguém resistente cheio de vida apesar de ter perdido seu braço direito num engenho de cana  ainda bem novo, mais era saudável e muito  espontâneo trabalhava brincava falta do braço era quase que suprida em meia tanta satisfação em viver pela família.
Quando criança eu o olhava junto com a vovó e pensava assim, eles viverão eternamente, nunca imaginava viver sem eles um dia e que a falta  deste casal maravilhoso um dia iria acontecer.
Lembro-me  como se fosse hoje as reuniões familiares naquela casa enorme  e aconchegante, a gente ia se aproximando  lá de longe na estrada se avistava a casa dos meus avós, uma poltrona naquela área e lá  estava assentado aquele homem com falta de um braço  olhando atentamente para  ver se chegavam seus filhos genros noras e netos, e ao seu lado a amável  avó  que olhava ansiosa  pela chegada da sua família.
Meu Deus quanta saudade, momentos felizes em pedir a benção lhes dar um abraço, vovô  cantava com seus filhos e sobrinhos e a festa começava viola violão sanfona  ou qualquer instrumento  fazia do povo a diversão.
O tempo parece que não passa, mais sim voa hoje eles não estão mais entre nós e , dia 24 04 1995 ele fechou os olhos para este mundo e acordou no infinito, fazendo agora 16 anos que ele faleceu, quem diria  um dia meu avô morrer, isto parece um sonho o tempo passou e ainda  vem na lembrança tantos momentos, sua morte sacudiu nossos corações o da vovó muito mais ainda, passou-se 04 meses isto no dia 01 09 do mesmo ano ela se foi, reencontrando novamente no céu com seu companheiro.
Isto me faz acreditar que a vida passa, e que é preciso viver intensamente a cada momento, o que resta daquele casarão são saudades, doces recordações, e que tudo perdeu a graça  já não é possível freqüentar aquela casa, sem a presença daqueles velhinhos tão queridos.
Aqueles arvoredos perderam sentido a dar seus frutos, na horta  o cheiro da lembrança, o monjolo de farinha perdeu a força  de bater, os peixes do rio se ausentaram de  tristeza e saudade,onde aqueles pés pisaram  apenas ficaram seus rastros marcado pela saudade.
Ah se fosse possível  dizer aos meus avós tudo o que está preso na garganta, como dói a saudade e a falta  que nada substitui, quando na volta pra casa vovó dizia, vão com Deus  que ele os acompanhe e vovô parece que estou vendo, ele saía nos acompanhando até o portão dava aquele tchau acenando sua única mão com um ar triste de quem não queria que a gente fosse, hoje somos nós que  choramos  a despedida   a gente não queria a sua partida mais o Senhor se foi, a glória das alturas o aguardava com um banquete o qual também chegará o nosso momento.
Sabe vovô, as lágrimas  insistem em molhar o rosto, a saudade quer nos sufocar, mais valeu a pena a sua estadia terrena seus frutos continuam  a se multiplicar, quantos netos e bisnetos nasceram depois da sua morte, as suas cantigas  ainda soam aos meus ouvidos seus contos animados jamais esquecerei, muitos dos seus tem um pouco de ti em seu semblante.
Sei que um dia esta saudade  vai acabar, creio num encontro que Deus nos reserva, olharei aos olhos de vocês vovô e vovó e direi:
Muito obrigada  por tantos momentos que nos fizeram felizes lá na terra, foram símbolos de bem aventurança, pois serviram ao senhor e andaram em seus caminhos, parece ver em suas mãos o troféu celestial  glorioso e brilhante da salvação.
É difícil a dor da saudade, mais aqui não somos eternos, somos aqui peregrinos  onde não sabemos quando findará o nosso percurso será ela de longa ou curta duração.
Mais  quando nossos olhos fecharem e o coração parar de bater, sejamos felizes em ter feito tudo de bom  que esteve ao nosso alcance.
Vovô descansa aguardando o seu chamado, foi  um vencedor combateu o bom combate acabou a sua carreira e guardou a fé, quero perseverar até o fim e ter este grande encontro com muitos que foram.
Meus avós descansem em paz, desfrutem  da beleza e encanto celeste, e até a gloria com Deus nos  altos céus.
 


verginia
Enviado por verginia em 25/04/2011
Código do texto: T2929842

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Sobre a autora
verginia
Itaperuçu - Paraná - Brasil, 36 anos
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