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IGREJA OU REINO DE DEUS?

O precursor do Cristo anunciou a Sua vinda dizendo: «É chegado o Reino dos Céus». Jesus quando se apresentou publicamente, disse exactamente o mesmo. E afirmou ainda: «A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o Reino de Deus».

«Reino de Deus» e «Reino dos Céus» são expressões equivalentes. É significativo que, no original grego, estas expressões ocorrem 87 vezes nos evangelhos, enquanto a palavra «assembleia, ou congregação» (ekklesia) é mencionada apenas duas vezes. Uma em Mateus 16,18 («... edificarei a minha assembleia» e outra em Mateus 18,17 (...«se não as escutar dize-o à assembleia»). Provavelmente, no primeiro caso referindo-se à «universal assembleia» (cf. Hebreus 12,23) , e no segundo a um grupo ou comunidade local.

O Reino de Deus não é sinónimo de Igreja nem cabe dentro das fronteiras da Igreja. Os soberanos desígnios do Cristo são muito mais amplos, mais abrangentes!
Na oração que Jesus ensinou, um dos pedidos é
este: «Venha o Teu Reino» (Mateus 6,10). Este reino foi personificado por Jesus, o Messias. O «Reino de Deus está entre vós», disse-o Ele. E viria a acrescentar: «O meu reino não é deste mundo».
Esse Reino, em todos os seus aspectos, concentra-se em Jesus. O Reino de Deus é Cristo e o Seu projecto a favor de Humanidade: Reino da Paz, do Amor e da Justiça.

Para entrar nele é preciso renascer, tornar-se humilde como um menino, pois dos que são como as criancinhas é o Reino dos Céus! Para entrar nele não basta dizer «Senhor! Senhor!» É preciso fazer a vontade de Deus.
Jesus exemplificou isso mesmo, pelas suas Obras, dando vista aos cegos, curando os surdos e os coxos, purificando os leprosos, ressuscitando mortos, anunciando a Boa Nova aos pobres, libertando os cativos e aliviando os oprimidos, consolando os tristes, espalhando amor, esperança, pão, paz, libertação.
Ele é um rei que se apresenta humildemente, como servo, sempre pronto a ajudar até se entregar a Si mesmo por toda a humanidade!
Não só exemplificou mas também ordenou aos Seus discípulos que curassem as enfermidades do povo e fossem ao encontro das suas necessidades globais.

Ele mesmo disse que quem entra no Reino de Deus, quem se une a Ele e ao Seu projecto de Vida e de Justiça, são as pessoas simples, os que se sentem espiritualmente pobres («bem-aventurados os pobres de espírito»), e os que se sujeitam a ser perseguidos «por causa da justiça». Pessoas cuja ética excede e religiosidade formal e legalista (hipócrita!) dos escribas e fariseus. Pessoas simples, desprendidas dos efémeros bens materiais, já que, como Jesus afirmou: «é difícil a um rico entrar no reino dos céus...»

Ele avisou os religiosos do Seu tempo: «Ai de vós que fechais aos homens o reino dos céus...» e afirmou que as meretrizes e os publicanos (considerados como a escória da sociedade) entrariam adiante deles no Reino dos Céus. As chaves do Reino deu-a Jesus a pessoas simples, rudes e sem poder institucional, como Pedro, um modesto pescador.

Jesus falou, por parábolas, dos mistérios do Reino dos Céus, e comparou-o à boa semente, a um tesouro, a pérolas preciosas, a um grão de mostarda, ao fermento, a umas bodas para as quais todos são convidados, etc..

Para Jesus, qual a prioridade? Ele disse: «Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça...»
E nós, a que damos prioridade? À nossa Igreja ou ao Reino de Deus?
Damos prioridade à vida religiosa? Às praxes e normas das nossas tradições, por vezes em nítida contradição com o ensino de Jesus?
Damos prioridade à Igreja, considerando-a como um fim em si, como um lugar de desobriga mística, ou um grupo de convívio, talvez uma espécie de clube religioso? Uma Igreja voltada sobre si mesma e com pouca ou nenhuma abertura e sensibilidade para o mundo que nos rodeia e que precisa de nós?

É claro que a Igreja, como comunidade cristã, pode fazer sentido se estiver sintonizada com Cristo e com o Seu projecto, ou seja, se estiver a investir activamente no Reino de Deus, através dos serviços de amor ao próximo e de disseminação da Boa Nova, de acordo com a incumbência de Jesus.

O que o Cristo trouxe ao mundo foi o Reino de Deus. A Igreja é secundária, instrumental, um meio para activar esse mesmo Reino.
Mas o que às vezes acontece é que, certas igrejas muito centradas em si próprias e nos seus programas, acabam por “cortar as asas” ao Reino de Deus. Apropriam-se dos seus sinais, como o Baptismo e a Ceia, como se fossem sua propriedade, e não expressões do Reino de Deus que antecederam a Igreja. Confinam-no aos seus espaços, aos seus regulamentos e à sua rotina associativa. Constituem-se em tribunal (por vezes inquisitorial) para admissão, punição e excomunhão.

Oremos: «Venha o Teu Reino»!
E, se me é permitido, parafraseando João, o Baptista, diria mesmo:« É necessário que  o Reino de Deus cresça e que a Igreja(como colectividade fechada e estéril) diminua».
É necessário que derrubemos as muralhas da Igreja e partamos para o mundo a promover o Reino dos Céus, enviados («apóstolos») ao serviço da transformação social e humana, como sal da terra e luz do mundo.

Ousemos buscar primeiro o Reino de Deus!
Orlando Caetano
Enviado por Orlando Caetano em 04/09/2006
Código do texto: T232419
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Sobre o autor
Orlando Caetano
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Orlando Caetano