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AMANDO A PARTIR DA ETERNIDADE

 Senhores passageiros, apertem o cinto....

Não, isto não é aquela famosa frase que termina em brincadeira, é a realidade vivida todos os dias, por aqueles que viajam de avião. Ao escutá-la alguns dias atrás o que me chamou a atenção não foi o seu conteúdo, mais sim a colocação vinda de uma criança de apenas 3 anos de idade: - Mamãe, eu não sou passageira! Sou criança!

Esta simples colocação nos fez (eu e minhas amigas) refletir quanto à identidade perdida após alcançamos a famosa maioridade ou - porque não ir mais longe - quando perdemos a ingenuidade peculiar da criança.

É nos dado um nome e um número, somos classificados por grupos étnicos, escolaridade, afinidades, etc. perdemos a nossa individualidade e passamos a ser produto do meio.

E ao me descobrir produto, minha percepção de eternidade mudou, ou melhor dizendo: Deus a mudou; pois foi entendida e compreendida no espiritual, “... o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”( I Cor 2:14)

São as sensações que definem as palavras, e não o contrário. Como podemos saber a diferença entre doce e mel, amargo e meio-amargo, sem antes não experimentá-las? A diferença de sabores só passa a ser compreendida pelas palavras após a sua degustação.

Jesus está todo tempo afirmando: Deus é ESPÍRITO, precisamos adorá-lo em espírito e em verdade. Compreender o Reino de Deus é viver, sentir, deixar-se levar por sentimentos que invadem a alma, e que transmutam em choros-alegrias, prantos-risos.

O racional nos mantêm em uma zona de conforto. É algo palpável, confiável. Contudo, Deus não só habita no raciocínio, Ele se instala, também, no irracional, na entrega total.

Antes eu o conhecia de ouvir falar... agora o conheço de comigo andar.

Foi assim também com o cego de Jericó (Lc 18:35). Antes Jesus era: Filho de Davi, o Messias prometido que fazia milagres e pródigos. Tudo ainda estava no racional, porém, após ter ‘querido’ ser curado da sua cegueira reconheceu em Jesus: o DEUS ALTÍSSIMO. É por isto que Deus têm-nos chamado para senti-lo, entendê-lo, vivê-lo, experiênciá-lo.

E nesta simbiose espiritual, percebendo-O presente em meu ser, vendo-me sem as máscaras, reagindo ao meio não conforme Sua herança e sim conforme o efeito advindo da causa de se ‘estar’ pecadora, uma pergunta se fez em mim: O que faz Jesus nos amar apesar de ser quem somos? O que faz Jesus perdoar o homicida, o estuprador, o seqüestrador, o terrorista, o mentiroso, o blasfemador, o caluniador, o vingativo, o prostituto, o idolatra, o lascívio, o avarento, o impuro ... eu?

Seguindo apenas um raciocínio ‘lógico’ teria a resposta em um salmo (103:17): “A misericórdia do SENHOR é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos”.

Contudo, não dá mais pra viver apenas de lógica, faz-se necessário internalizar a Palavra, comer o Pão da Vida, degustar, digerir para finalmente se transformar em alimento do espírito. Em outras palavras é gastar tempo com a alma calada, aguardando Sua revelação.

E a revelação aconteceu no derramar do coração de Deus em meu coração. Foi algo tão grande, tão intenso que no momento tive medo e disse: Jesus, não conseguirei suportar! Tola impressão, pois o Pai nunca nos dá nada que não possamos agüentar. Mas fiz a besteira, e Deus recolheu a sua mão naquele momento sublime, porque tudo que vier dEle deve nos ser aceito por amor e não por sacrifício. Contudo, arrependida continuei pedindo o que me foi revelado, agora paulatinamente.

Percebi-me sentindo que a nossa essência é única, fomos criados na eternidade. Contudo, o que FOMOS ainda É e sempre SERÁ: semente divina. Estamos vivendo, momentaneamente, o ESTAR. Nossas reações e atitudes são respostas a um produto do meio: semente da queda.

Enquanto a semente divina mantém-se intacta aguardando nosso consentimento para sua germinação (“Mas todos quantos O RECEBERAM, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, ou seja, aos que crêem no seu nome”. – Jo 1:12), a semente da queda germina e crescer sem nossa autorização, violentando nossa individualidade.

O ESTAR é produto de traumas vividos no ontem ou no hoje, é o joio dos sentimentos corrompendo os atributos divinos doados por Deus através da sua maravilhosa graça. Adquirimos uma aparência camaleônica, transformando-nos em produto do meio.

Todavia, Deus sendo atemporal, nos conhece e nos ama pela essência – sua semente. Somos criação divina e “ viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1:31 a). A temporariedade de nossa transformação só será definitiva caso não queiramos reatar o elo perdido devido à queda.

Obtive a minha resposta: Jesus nos ama apesar de sermos quem somos, porque verdadeiramente NÃO SOMOS, APENAS ESTAMOS. Ele ama a essência e não a manipulação do produto. E com esta descoberta percebi um novo-velho conceito de amor, pois, embora Deus ame o indivíduo, sua revelação deverá sempre atingir o coletivo, portanto:

Minha oração hoje é:
Deus, derrama teu coração no meu coração, Para que possa ver o outro não como um produto, Mas, como essência divina, a fim de que possa abraçá-lo e amá-lo, do mesmo modo que Jesus me tem amado: desde a eternidade. Amém!

Joseane JPires
Joseane JPires
Enviado por Joseane JPires em 31/08/2007
Código do texto: T633022

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Sobre a autora
Joseane JPires
Jaboatão dos Guararapes - Pernambuco - Brasil, 51 anos
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Joseane JPires