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Máquina do tempo

Se eu pudesse ser cientista, como um louco renascentista.... daria vida à máquina do tempo. Seria o meu grande invento...
E como todo louco que aposta na sua loucura, seria essa a minha maior aventura.
Viajaria pelo tempo como quem se entrega ao vento, sem asas, sem garras, sem penas... soltando as amarras do próprio tempo.

Se eu pudesse me ver ao reviver minha infância, todas as carambolas, todas as amendoeiras, os chicletes de bola, minhas brincadeiras... minha doce inocência.
Sentiria o aconchego do colo da minha avó... pediria benção ao meu avô!... “bença vô”... era assim que eu dizia.
Veria meu crescer, meu corpo se transformando na minha adolescência... os conflitos de consciência... minha paciência.
Reviveria a noite em que o luar azulou toda a areia da Praia Grande... a prata banhando meu corpo... foi quando ela me enfeitiçou.

Que incrível seria, se pudesse ver Gaudi, desenhando a Sagrada Família... ver a musa na janela posando impassível para o mago Dali... extasiada eu ficaria ao ver Pessoa em pessoa... e quantos mais... toda a poesia, toda a arte acontecendo aos meus olhos em formas, cores e sons em seus momentos de criação... ah! Louca imaginação.
Veria também outras pessoas, transeuntes em ruelas e travessas no Rio Antigo... caminharia pela minha rua, e pararia na esquina onde moro... adivinhando meu futuro.

Passaria longe das guerras, das atrocidades cometidas, dos extermínios, das maldades contra os animais... viajar no tempo prá ver o mal acontecer, jamais... a menos que, como um gênio cientista, fosse eu capaz de tamanho invento que, ao viajar no tempo, pudesse refazer a história... e assim pegaria no ar a bomba atômica e a devolveria aos seus inventores...  e com todo o poder a mim atribuído, o crescimento do mundo não seria tão doído... não permitiria o gelo tingido de sangue pela matança das focas... não permitiria que nenhum animal morresse para satisfazer a vaidade humana... vaidade insana. Mas isso vai muito além de qualquer loucura que se possa imaginar...

Mas não sou um gênio cientista... tampouco uma louca artista que possa me deixar no vento a criar... ilusões, quase alucinações... quando tenho tanto a fazer em tão pouco tempo... mas um dia ele me entenderá... e quem sabe será generoso e caminhará com passos mais lentos... prá que eu possa me deixar ao vento... e assim poder pensar... que se eu fosse um cientista, um louco renascentista... muito mais teria prá imaginar.
Cristina Nunes
Enviado por Cristina Nunes em 18/01/2006
Reeditado em 18/01/2006
Código do texto: T100477

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Sobre a autora
Cristina Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
421 textos (32644 leituras)
9 áudios (1002 audições)
2 e-livros (97 leituras)
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