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Confissão

Como saciar essa vontade que não é de sede nem de fome, é do peito e arde... Ah!... se eu pudesse voar, abriria minhas asas e seguiria numa só direção: Cordilheira dos Andes... e sobre as montanhas de rocha fria eu iria te estender minha mão, e juntas partiríamos num vôo sem direção... sobrevoaríamos os telhados de Lisboa... a cruz tombada que jaz em São Martinho... a praça iluminada do Porto... os jardins de Braga.... as calçadas de Praga... os canais de Veneza... quanta beleza! Eu veria os lugares por onde andaste nas tuas caminhadas pela vida, com tanta coragem de mergulhar de peito nesse mundo que prá ti sempre foi tão pequeno, e prá mim sempre tão grande nas inúmeras vezes em que me perdi tentando voltar... mas não importa o lugar, estaríamos juntas como nunca estivemos antes... e depois aquele cafezinho gostoso, o cigarro teimoso e a conversa jogada fora na madrugada sem hora. Se o pouso da chegada fosse aqui a gente falaria da tarde quente, da chuva de verão, do livro do Chico, de uma nova canção, dos nossos medos, dos desejos, dos anseios encobertos, de outros descobertos e, por fim, de um caso ali... um outro aqui... mas se fosse aí eu veria o sol que resiste no céu vermelho da noite, o vento frio que corta o teu verão, as flores na praça de Concepciòn... te contaria a quantas anda o meu amor, te contaria de mim e do que hoje eu sou, te mostraria meus versos, me mostrarias os teus que sei escondidos nos teus textos literatos e juntas leríamos Tabacaria, que eu sempre quis ler contigo, mas eu nunca te disse isso... ouviria tua opinião, te pediria os conselhos que nunca pedi, hoje eu quero e preciso te ouvir, e te peço perdão pelas vezes em que tapei meus ouvidos prá não ouvir a verdade que gritavas e ensurdecia minha emoção vigiada pelo medo, quero olhar nos teus olhos e ver que o brilho não se apagou, que o sorriso ainda é o mesmo que contagia e que me vem à lembrança e dá essa vontade que não é de sede, nem de fome... é saudade que arde. Mas não tenho essas asas que libertam o físico, apenas as asas da minha imaginação e elas me levam prá onde eu quiser, prá um tempo qualquer... e hoje eu quero estar em qualquer lugar, desde que, junto do teu coração.

(...prá minha irmã...)
Cristina Nunes
Enviado por Cristina Nunes em 15/03/2006
Reeditado em 15/03/2006
Código do texto: T123592

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Sobre a autora
Cristina Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
421 textos (32644 leituras)
9 áudios (1002 audições)
2 e-livros (97 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 18:47)
Cristina Nunes