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Tiros no Escuro

...”Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade, e que levasse embora até o que eu não tinha...”.
Levantei da cama mais uma vez, sem a mínima vontade de levantar.
Com as mãos cheias d´agua, joguei em meu rosto quente, que de tanta saudade fez a água ferver.
No espelho havia uma pessoa totalmente irreconhecível... Essa era eu.
Já não sinto mais a falta que me fazia acreditar que tudo era belo, que tudo era possível.
Chega, hoje não ficarei assim.
Juro que estou enterrando a minha mãe no quintal de minha casa.
Cada grão de terra que jogo em cima de seu corpo, vai junto um pedaço de meu coração e minha alma.
Cada pá de terra jogada é uma lágrima a escorrer de meus olhos e a saudade mais bonita!
Já faz tanto tempo que eu nem me lembro quanto, já não sei por qual motivo ainda estou aqui, sinceramente não sou eu.
Meu espírito se desligou de mim quando você me deixou, aqui sozinha sentindo tanto frio.
Assino cada carta com minha lagrimas acidas, que chegaram a queimar o papel.
Essas cartas que jamais chegarão as tuas mãos outra vez.
“Sei que ainda sou criança, tenho muito que aprender, mais quero ser criança quando eu crescer...”
“Quando a noite cai, é que eu sinto a falta que você me faz, saudade que não passa e nem me deixa em paz, a sombra de um amor que já brilhou demais.”
Infelizmente, a chama que queimava entre nós, se apagou, com o sopro de vento.
O mesmo vento que trouxe você, e depois levou você de mim.
Sei que essa dor passará, quando eu for embora desse mundo.
“A você princesa dediquei a minha vida, levo desse amor o seu rancor e uma ferida,
Apesar de tudo minha linda não te odeio, mas em tua boca inclino a morte sem receio.”
O frio dessa  madrugada soprou gelado, em minha janela, o vapor de nós dois.
Cada parte de minha casa, uma lembrança, um dor, uma lagrima, um suspiro, grito de maor, mesmo se for de dor, que desatina de meu peito, selando o meu destino solitário, escuro sem jeito.
Desengonçado ando num passo apressado, a procura de apenas um abraço.
No desespero da noite, sofro calada, que vai me corroendo por dentro cada vez mais.
Já não me importo em parecer melhor, quem é que nota? Talvez ninguém mais.
Será que um simples corpo faria falta na imensidão? Não, ninguém se importaria com tão pouco.
“Eu perdi o meu medo, o meu  medo, o meu medo da chuva...” Hoje vou chutando as pedras do meu caminho, despedaçando as rosas que me foram entregues.
Desfaço suas pétalas secas, caindo no chão como farelos, igual caiu e desfez meu coração!!!

Babinha
Enviado por Babinha em 15/04/2006
Código do texto: T139514
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Sobre a autora
Babinha
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
41 textos (2561 leituras)
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