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A Chuva

Chove no meu mundo onde,
Jamais haveria de chover.
Os vidros embaçados do vapor
Que retem da minha dor.
O vapor que há de me asficciar,
Para tentar escapar da solidão que nunca tive.
Ventania na minha janela,
As folhas fazem um grande folía.
Se agitam frenéticamente,
Como se jamais houvesse vento.
Na estrada suja de lama,
Escorrego mais uma vez,
E as pedras esfolam meu rosto,
Deixando a marca dessa dor.
No meu tapete vermelho você andou
E desligou e o marcou com suas botas
E cuspiu nele.
A cicatriz que ficou em minha mãos,
Faz latejar e dar forças no seu perdão.
Chove aqui dentro,
Mas está tudo fechado.
Há uma goteira no teto e alaga o chão,
Onde estou deitada,
Esperando o chamado para o novo mundo.
Trancaram a caixa e ainda estou aqui dentro.
me deixaram aqui sozinha, com sede.
Dê-me água. para eu poder viver.
Não me deixem apagar.
...O escuro agora me acompanha,
Andamos lado-a-lado.
A chuva ácida queimou meus corpos,
Desfez a maravilhosa forma de meu olhar.
Aquele olhar que se apagou.
Que se afogou e soluçou
No último suspiro
Um pedido de socorro.


Babinha
Enviado por Babinha em 05/05/2006
Código do texto: T151007
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Sobre a autora
Babinha
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
41 textos (2561 leituras)
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