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SÓ 


Não raro, me pego triste ao deitar-me a solidão, e no silêncio de uma 
hora qualquer, passo a declamar os trechos que decoro, dos versos que 
eu escrevo. São reflexões sinceras, talvez do meu inconsciente porque 
não se pode mentir para si mesmo. Gosto de expressar minhas emoções através das letras que aprendi juntar, na forma que aprouver quem as recebe,seja como poesia, crônica, poema ou coisa que valha.Ali, naquela folha,na tela de um micro, abstraio-me de pudor, minha vergonha enrijecida. Sou mais fluente, ultrapasso meus limites, desobedeço minhas próprias normas, mas não faço na realidade a razão de um verso, não mastigo com prazer as imagens em forma de iguarias e nem bebo incontinente o suco doce de um amor sonhado. Não consigo ser o homem 
que plantou uma poesia sem ser contraditório ao tema vinculado. É como roupa luxuosa em noite de gala, máscaras cintilantes em dias de festas, tudo se encaixa conforme o combinado. São poucas as horas em que me separo do castigo e cativo a liberdade de um olhar sem destino. 
Sufocantes, esses momentos, reveladoras essas horas, um teatro da minha dúvida, esses papeis que represento, ser a personagem de si mesmo e decorar as falas que eu mesmo inventei para ser feliz.

Jose Carlos Cavalcante
Enviado por Jose Carlos Cavalcante em 18/06/2006
Código do texto: T177900
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Sobre o autor
Jose Carlos Cavalcante
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
732 textos (54104 leituras)
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Jose Carlos Cavalcante