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A mesma certeza

Em um tempo em que retratos apenas em branco e preto, em que somente o pensamento pode voar um pouquinho mais longe através da lembrança. Lugar que não me é cabível cada vez que retorno ao passado em busca do presente e voltando sempre ao futuro, por talvez uma coisa que não sei ao certo, pelas incertezas, pelas falsas esperanças. Com os olhos banhados d' água, que pecado é esse de ser feliz? Que remorso é esse ao sentir-me estagnada no tempo, ao vento, à brisa, ao silêncio, sim porque é própria sensação de não estar presente, de não fazer-me sempre que posso, presente. O que mais me consome o pensamento, é a vontade de sempre querer pular, é sempre a vontade de jogar as porras loucas pro alto e ser. E ser quem ou o que não saberia explicar, porque eu mesma, o que poderia dizer-lhes a esse respeito? O tempo passa, os ventos mudam e o meu barco continua parado, fora do mar, no ar, na utopia, nas lágrimas, na vida, nesse dia-a-dia, nesse vida-a-vida. Eu e você podia ser, mas o vento mudou a direção. Nossos tempos são outros, nossos fusos são outros, e não há mais solução... Se me falassem que caberia uma música, falaria que cabem todas elas, mas nenhuma a mais me faz sentido, já não sou mais a mesma, respiro outros ares, navego outros mares, aqueles mesmos de que tento fugir, esses que são a apatia. E se tantas vezes me pego nessa confusão, nessa multidão espalhafatosa, sem ao menos alguns olhares, é o meio dentro do fim, é o fim dentro dos meios, mas não basta, tem que haver os sonhos. Tem que haver suor, mão com mão, respiração com respiração, numa unificação inteira. Porque não existe o que é um e meio ao mesmo tempo, ou é, ou não é, ou se faz ou não se faz. Deixa o sol queimar a tua pele, deixa o céu amanhecer, deixa a vida, tratar de dizer-me o resto, deixa o tempo resolver-me tudo e ele ajudará a apagar o que sempre achei que seria eterno, o que eu acreditava ser a verdade mais pura. Deixa que um dia ainda me dirão, sua burra, sua burra, sua burra, e eis que responderei, sim sempre fui. Mas não me arrependerei de ter sido, ou será, que passarei os dias tentando pensar que sim e que não, que sim e que não, que sim e que não, que sim e que não. Só o tempo dirá, mas outros ventos virão, outros amanheceres me renovarão, e acordarei nova.
Lady Sophia
Enviado por Lady Sophia em 03/07/2006
Reeditado em 13/09/2006
Código do texto: T186873
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Sobre a autora
Lady Sophia
João Monlevade - Minas Gerais - Brasil, 25 anos
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