A razão que me falta...

Julgo-me capaz, melhor...

E sinto pena de mim.

Percebo na minha garganta um nó,

E sinto confessar que sou assim:

Causadora de tanta mágoa,

Tanta dor.

Sinto por mim certo rancor.

Sabendo e me enxergando torta,

Finjo de morta, para tentar dirimir

Minha dor.

Quero morrer diferente do que sou.

E vivo lutando para não antecipar

Essa minha sorte;

Por me sentir covarde; incapaz de

Mudar.

Não sou par para ninguém.

E não vejo ninguém tolerante o

Suficiente para ser meu par.

Enxergo-me em um mar sangrento,

Sofrido;

Causado por caprichos inúteis - dos

Quais ainda não consigo me desvencilhar.

Às vezes faço mesmo como charme;

Outras vezes percebo que houve um

Quê de maldade.

Mas quase sempre, me escondo da

Minha racionalidade, e faço mau uso

Do meu livre arbítrio.

Então, me perco na minha essência

Dominada por paixões voluptosas,

Descabidas e desnecessárias.

E, quando retorno dessa minha viagem

Em negra heroína, me sinto fraca por

Ter ferido a quem amo.

Todavia, há algo em mim que

Permanece lutando, insistindo que,

Em meu momento estúpido, estive

Certa, mesmo que parcialmente.

Finalmente, quando tomo consciência

De que tudo que eu achava lindo já

Está destruído,

Percebo meu amor a chorar;

E me culpo por acreditar que na estupidez,

Quando me falta a lucidez,

Possa existir alguma razão.

nouvellelune
Enviado por nouvellelune em 26/11/2009
Reeditado em 27/11/2009
Código do texto: T1944959
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