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Diário de guerra

    Olá minha querida esposa,
    estou escrevendo esta carta para dizer-lhe
    que meu companheiro Alan lembra-se dele ?
    morreu hoje.

    Estávamos combatendo,
    novamente em território inimigo,
    lado a lado,
    como sempre.

    Haviam muitos cidadãos no campo hoje,
    muitas mulheres gritando.
    Os tiros e o barulho das armas cortavam o dia lindo,
    que belo lugar estou destruindo.

    Haviam jovens no outro exército,
    15, 16 anos até menos,
    pessoas que mal conheciam a vida,
    e nem a covardia de seus governantes.

    Não é contra esses que estamos lutando ?
    Os governantes e sua posição.
    por que esses jovens tem que morrer ?
    por quem tantos jovens tem que morrer ?

    Devo dizer que antes do confronto lembrei de você,
    devo, pois, o dia estava lindo demais,
    lembrei da sua face, a imaginei sorrindo ao meu lado,
    com todos aqueles comerciantes simplesmente trabalhando.

    Até que aquele jovem se desprendeu do grupo,
    e com uma arma na mão nos viu.
    Ele nem usava uniforme,
    ouvíamos seus passos rumo à própria morte...

    Lembrei me do dia em que me alistei,
    chorou tanto, disse que eu não devia.
    Penso agora que mais uma vez devia ter lhe escultado,
    mas só pensava no quanto eu aparentara poderoso naquele uniforme.
   
    Então... lembra-se do Alan?
    velho barbudo, experiente nas batalhas.
    Ele me confessou aquela manhã que já não lembrava o sobrenome de sua mulher,
    de tanto que estava a guerrear pela causa...

    ... o jovem corajoso e inconsequente avançou uma barreira.
    Alan poderia matá-lo, eu vi em seus olhos,
    mas apenas fechou-os e antes do tiro seco ecoar pelo ar,
    uma lágrima escorreu em seu rosto.

    O jovem atirou varias vezes,
    até que um tiro o acertou no peito,
    e depois começou a chorar.
    Até que outros dos nossos o retalhassem aos tiros.

    Não é contra esses que estamos lutando ?
    os governantes e sua posição.
    por que esses jovens tem que morrer ?
    por quem tantos jovens tem que morrer ?

    Amor, vou lhe contar agora a verdadeira razão pra lhe escrever.
    Dentre os tiros o jovem acertou meu estômago,
    enquanto lê isso já devo estar morto,
    os médicos disseram que não haveria muito a fazer.

    Meu sangue quente está escorrendo agora,
    há um pano na minha ferida,
    meu uniforme está manchado de sangue,
    e agora só penso em você e se você está bem.

    Não é contra esses que estamos lutando ?
    os governantes e sua posição.
    por que esses jovens tem que morrer ?
    por quem tantos jovens tem que morrer ?  
Bok Felipe Ojeda
Enviado por Bok Felipe Ojeda em 19/08/2006
Reeditado em 16/06/2013
Código do texto: T220114
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Bok Felipe Ojeda
São Paulo - São Paulo - Brasil, 27 anos
3 textos (180 leituras)
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