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Dardo

O homem é esta estrutura biológica pungente entre a máscara e o nada, apesar de suas múltiplas experiências existenciais. Como seres ditos "racionais" pretendemos conformar a realidade com nossas maõs pois acreditamos que entendendo e subjugando o mundo ganharemos a nós mesmos. Ainda que afirmemos em contrário parecemos amar esta ausência (muitos conhecem por "vida"), por ser nela que se realizam várias de nossas condições subjetivas e objetivas, seja de uma forma direta ou indireta, satisfatória ou não; só não amamos a amamos mais que a morte, que nos liberta da disposição/indisposição de pender para um dos dois lados: o inexprimíel e o incompreensível, é claro que, num sentido mais amplo, nem mesmo estas duas categorias significam escolhas, pois ambas pendem para o mesmo vácuo.
Nascemos para o encontro com o nada, e "vivemos" uma existência gratuíta e sem sentido, não viemos para dominá-la, cada qual mal sabe de sí mesmo, somos todos implacáveis ilhas, o próprio existir é contingente.
Amar esta mesma existência, ou ausência, é respeitá-la e contemplá-la em sua prodigiosa inutilidade.
O começo de alguma sabedoria ou entendimento mais apurado é perceber que temos e teremos cada vez mais as mãos vazias  na  medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar a existência e o mundo que a delimita e abarca.
A percepção, ainda que não tão clara, deste algo, que não é fato, nem verdade inabalável, nem certeza absoluta...Enfim, um algo...faz-nos sentir a solidão em que vivemos e aí então a sentimos nos atravesando tal qual um dardo. Este é o preço do suposto encontro com a existência e com aquilo que se é no âmago.
Este dardo sempre nos alcança, mais dias, menos dias...E isto quando já não o trazemos como um embrião dentro de nós, embrião este que um dia como que entra em erupção, arrebentando a couraça de nosso peito, estilhaçando definitivamente as nossas inúmeras máscaras e nos atirando no nada, no vácuo...Este dardo veio a mim, acredito mesmo que já o carregava de outrora como algum germe embrionário que desenvolveu-se..coisa assim...Veio a minha existência e também virá a sua, e a sua...
Campanário
Enviado por Campanário em 14/09/2006
Reeditado em 04/08/2011
Código do texto: T240237
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Campanário
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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