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VAGANDO

Vago em um corredor frio, perdida em pensamentos de auto crítica.
As coisas estão todas fora do lugar; minha pele transpira utopias verossímeis.
Meus olhos
 lagrimejam desilusões, a noite tem sido muito mais escura.
Posso estar enganada, mas percebo que os feixes de luz estão se apagando de acordo que construo ao meu redor muros intransponíveis.
Vagarosamente me surgem sentimentos intuitívos, e eu sei que não devo continuar.
O corredor estreito reprime meus medos, com as mãos e pés atados sinto dificuldade em caminhar.
Ouço o uivo desesperado dos ventos, só agora posso entender seu apelo. Tão sozinho, tão invisível, tão frio!
Me apiedo do seu clamor, pois muitas vezes fui invisível, pois muitas vezes estive sozinha e com a alma congelada pelo desengano e pela frieza alheia. Eu também quero gritar, gritar tão alto que ressucite do meu cemitério interior velhos sonhos que foram putreficados, enterrados a 8 palmos do chão pra que não pudessem renascer novamente.
Agora vejo claramente minhas mãos trêmulas que demonstram  toda minha atração pela morte, atração pelo desconhecido, pelo outro lado. Talvez porque no fundo eu esteja a procura do alivio interior, e eu entenda que o segredo da vida é  a morte, não a morte física, mas muitas vezes a morte interior, morte das idealizações, das vontades, dos desejos, morte que faz sangrar a alma, que faz-me sentir o gosto tão amargo do plasma quente. Que me faz ouvir minha voz chorosa que repete continuamente palavras mortas, que dão-me a certeza de que novamente estou nas trevas.
Dessa vez me entregarei as sombras, pois sei que nesse mundo de luz, não há mais lugar para minhas hipocrisias, nem para meus desejos obscessivos.
Derrepente não posso conter o choro e a mágoa continua que brota incessantemente dentro de mim.
Meu suspiro é de dor, fecho os olhos e uma presença obscura me chama, me consome, me toma.
Agora estou diante da realidade dos meus pesadelos, vestida com roupas negras, de luto por minhas desistências, por tudo que foi desfeito.
Agora ouço a melodia triste, triste desses sentimentos impossíveis, que foram petrificados pela chuva fria.
funérea
Enviado por funérea em 21/09/2006
Código do texto: T245914
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Sobre a autora
funérea
Pinheiral - Rio de Janeiro - Brasil, 28 anos
11 textos (893 leituras)
1 áudios (140 audições)
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funérea