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Idéia Reta

Sendo bem sincera: não acredito em trascendência. Prezo muito o raciocínio do ilustre (ao menos para mim) Nietzsche, o ser super-homem, é tudo muito poético,mas não acredito nesta história patética de superação do homem, é muito intangível. Porque acaba sendo assim, se você descobre os instintos egoístas por trás de cada ação humana você fica automaticamente sem esperança, graças a Freud já sabemos do animal e do criminoso que habita em nosso insconsciente, e isso não nos torna melhores ou mais fortes. Continuamos apenas.
Também não acredito no Estado. Houve um tempo em que quis aderir visceralmente a política e todos os assuntos afluentes a esta  mas é tudo tão irracional que a minha não tendência ao humor sequer pode concebê-la como ínfima piada de mau gosto. Mas concordo com Hobbes que diz que o Etado é um monstro, o Leviatã mítico. O capitalismo acaba com tudo, isso é fato, mas todasas ideologias cheirando a "ismos" da moda, acabam sempre  na mesma inconclusão e, na falta de soluções para um problema que na realidade é menos real que se pensa, fazemos samba, carnaval e jogamos futebol...Lindo(!).
Não acredito em amor, somos muito egoístas para isso. Tenho uma tese, digamos: É assim, quando chegamos a gostar ou mesmo nos apaixonar por alguém queremos sempre alguém que se pareça conosco ou que tenha algo a acrescentar ao pouco que que temos ou não temos, é sempre o EU lá no fundo, com o teu cânone "Tu Deves" e este Tu Deves é sempre orientado a quem o concebe.
Neste sentido somos todos egoístas...Por quê não?
Também não acredito em quaisquer sentimentos sublimes, é muita falação em cima de uns hormônios e células excitadas por alguma química cerebral estimulada pelo ambiente externo ou algum fator interno, inconsciente,que só interessa aos cientistas, que só trabalham com isso também por acharem que não tem mais o que fazer!
Não vejo sentido em tanta luta e tanta esperança. Não, amor  neste mundo nunca  mais, e isso considerando que um dia houve (!).
Não acredito neste otimismo batato, cheirando a livros de auto-ajuda e autobajulação, só vendem por que estimulam no ego do indivíduo aquele cânone "Tu Deves", já comentado, afinal quem é que não quer se sentir "importante" ou "amado" (paródia...rsrsrs...!).
Por fim, não acredito  na 'insustentável leveza do ser'. Não somos, estamos acontecendo apenas. Toda nossa tentativa de atribuir sentido ao que quer que seja é vã, vã e estupidamente despropositada, prostituída ao nosso ego que se inflama com qualquer  merda.
Como eu sempre digo e gosto até de frisar,  na impossibilidade de ser, exista, passe e morra em paz...
O niilismo é tão irresistível, o vácuo, o nada, tão reais...Meu cérebro se curva, por vezes, ao torpor que me causa tal idéia...É afável. Deixar-se ficar. Depor as armas, o corpo...
Não acredito em soluções por que acredito que ainda não soubemos sequer formular, com acertos, os verdadeiros problemas.
Não acredito em modismos, mundinho underground, eu até acho interessante, "intelectual" e poético, mas é só mais um bando de gente em tribos com nomes "legais", aí você vai tem os góticos, roqueiros, emos,punks, porra-loucas, anarcos, etc, etc...Mas continua sendo a mesma tribo, com um bando de gente que não se conhece e que  mal sabe no que crê ou não crê e quer ser "diferente" pra ganhar pontos não sei com quem e não sei para quê...Ah, mas sim, aqui também eis o cânone "Tu Deves"...Egoísmo, por quê não????
Como dizia o Pessoa: 'Suave é viver só.'
E pra encerrar, ainda com este colosso de pessoa,  vai um sonetinho aí do próprio Pessoa que, aliás, é bem o que eu tenho pensado ultimamente:

O Guardador de Rebanhos (IX)

Quem dera a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase a noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas
A minha velhice  não tinha rugas  nem cabelo branco
Quando eu já não servia tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um  barranco.

É isso aí, sem mais (!).
Campanário
Enviado por Campanário em 15/10/2006
Reeditado em 04/08/2011
Código do texto: T265042
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Campanário
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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