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O Nosso Universo Em Seu Autor Eterno

"A ordem geral do universo é sempre a mesma, porque ela é boa, bela,  justa, e a melhor que podia ser; mas o Supremo Poeta sabe conciliar uma infinita variedade com a mais perfeita unidade, e renova a todo instante cada um dos seus pensamentos, conservando as leis e os tipos de todas as coisas. Os indivíduos percebidos por nós parecem decompor-se, e os restos aproveitados entrar na composição de novos indivíduos; mas essa é a ordem mesma da transformação e sucessão de muitos pensamentos em um, ou de um em muitos. Se Deus julgasse suprimir o Sol do seu universo, fazendo-o desaparecer pouco a pouco, como um vapor que se fosse difundindo até sumir-se, sem porém suprimir para nós a sucessão dos dias, e a ordem atual do movimento dos mais astros; veríamos o Sol dilatar-se, apagar-se e sumir-se, e diríamos que as suas moléculas tinham sido atraídos pelos astros, e que outras se tinham derramado pela atmosfera; e explicaríamos a visibilidade periódica das coisas pela vibração dessas moléculas, causada por qualquer objeto que coincidisse constantemente com a iluminação das coisas; ou diríamos que a sucessão periódica dos dias e das noites dependia de uma lei, ou causa oculta. Não haveria o Sol para nós, e ele poderia estar no universo intelectual, como tantos milhares de outros que não vemos, e que vagueiam na inteligência de Deus, como essa infinidade de estrelas estranhas ao nosso sistema solar, todos esses orbes imensos, que reunidos por centenares nos parecem manchas esbranquiçadas e nebulosas, que aí estão por esses abismos do infinito, proclamando à nossa absorta inteligência a grandeza, a sabedoria e o poder do Eterno. E se tudo permanece na infinita inteligência de Deus, como deixará de existir o espírito humano, feito à imagem de Deus, para eternamente admirar as infinitas maravilhas de seu criador?"
 
        Domingos José Gonçalves de Magalhães
 

 
Em Fatos Do Espírito Humano, de Domingos José Gonçalves de Magalhães, está contido o belo trecho acima de extrema inspiração, coroada pela certeza de se estar dizendo uma verdade inegavelmente superior, verdade idêntica aos mais elevados ideais de certezas acerca das Coisas Da Realidade. Em Filosofia, falar de "Deus" é sempre tocar em um espinhoso problema milenar. Filósofos disseram que "Deus" é o Autor Eterno Do Universo, que a tudo deu Vida Eterna. Conforme crenças tão antigas, em todos os povos antigos, sempre houve a crença em um Autor, sempre humanamente explicado em termos medianos. Por mais que os esforços sejam belos e fiquem na História Da Humanidade como exemplos de visão filosófica superior, jamais haverá consenso definitivo acerca do que verdadeiramente seja O Autor. Parece que este tema tratado nesta reflexão  é um tema arcaico e batido, mas não o é. Este Inominável Ser aqui, saiu um dia em busca de Deus e encontrou uma Verdade Inominável. Nenhum nome O define, mas os nomes são preciosos para que um entendimento acerca do Autor seja pelo menos parcialmente positivo. Gonçalves de Magalhães, pelas palavras acima, é um dos raros casos que mais se aproximaram de uma mais sincera Verdade Interior acerca do Autor. Como já foi dito por mim em Sobre Uma Onipotência Desconhecida, Ele Revela-Se Sob Várias E Infinitas Fontes De Poder E Em Infinitas Faces; porém, Ele Verdadeiramente Jamais Será Definido. Gonçalves de Magalhães, ciente de tal verdade em si, como faz transparecer em seu livro quando toca no assunto que mais lhe ativa n'alma, medita sobre a Ordem Geral Do Universo. Neste Universo pairam Coisas Todas Absortas Na Essência Do Autor Eterno. Em todos os Universos pairam Coisas Todas Absortas Na Essência Do Autor Eterno. Gonçalves de Magalhães, na mais pura das inspirações, inspirações advindas de horizontes desconhecidos aos horizontes humanos, chama respeitosamente ao Autor de Supremo Poeta, e, em todas as Fontes De Poder, Ele Poetiza Na Geração De Todas As Coisas Imateriais E Materiais. Em sua Poesia Eterna, O Supremo Poeta pode uma vez julgar que deva parar de fazer os seus Versos Creadores De Todas As Coisas. Gonçalves de Magalhães medita sobre essa decisão, utilizando como exemplo para a expansão de seu pensamento o Sol, este astro que nas culturas antigas era cultuado como a representação de um Deus ou como o próprio Autor. O Sol, Doador Perfeito De Vida E De Voraz Vontade De Evoluir A Todos Os Elementos Conhecidos E Desconhecidos Aos Quais Banha, apagado, morto, pelo Autor, nos traria, a infertilidade, o caos, as sombras, o fim, enfim... Ao erguermos nossos olhos para o firmamento, veriamos mais sombras do que as sombras que nós mesmos, como seres humanos que muito erram, criamos com os nossos atos e pensamentos errôneos. O Sol desaparecendo da nossa visão, permaneceria em nosso universo intelectual, mas seria uma melancólica lembrança de tempos nos quais a luz dele nos elevava todos os dias, nos quais o calor que ele nos proporcionava nos acarinhava. Tudo no Autor, como Gonçalves de Magalhães sabia, por intuição que talvez possamos crer como divina, agora este Inominável Ser aqui afirma, jamais desaparecerá. O que desaparece é tudo de mortal presente aos fenômenos que nós com olhos mortais percebemos aos longo dos dias da existência nesta esfera. O que desaparece somos nós, ao pó iremos, iremos ao túmulo, já estamos no túmulo já que desde que nascemos o nosso destino perfeito é ir para o túmulo. O Autor não é um túmulo para aqueles que como Gonçalves de Magalhães sabem verdadeiramente aproximar-se. Nossos espíritos, Espíritos Eternos, jamais se findam no Seio Infinito Do Autor. Ali onde nós todos,  ali onde nós todos pensamos que estamos perdidamente atados como seres atrasados e inúteis, ali está tudo o que podemos no Todo encontrar: O Pai Verdadeiro. A cada um de vós,  esta reflexão deve sugerir algo. Aquele Algo Desconhecido Que É O Autor De Tudo Em Vós Está Refletindo-Se Neste Instante?







Texto originalmente publicado em meu falecido blog no Windows Live Spaces denominado Sobre Filosofia E Poesia E Música E Magia E Mundo em 17/09/06.
 
Inominável Ser
Enviado por Inominável Ser em 10/11/2006
Reeditado em 10/11/2006
Código do texto: T287150

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Sobre o autor
Inominável Ser
São João de Meriti - Rio de Janeiro - Brasil, 40 anos
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