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Abstraio-me.

Abstraio-me. Abstraio-me da esperança. Desisto do brilho, dos planos. Jogo aos ares minhas certezas e passo a aprender (prender) que de fato só temos as incertezas.  Abro mão. Lavo as mãos. Renuncio a ilusão. Não vôo mais. Nem corro, nem pulo, só ando. Falto no emprego. Às vezes é preciso ser irresponsável. Mas no instante seguinte me arrependo, eu não sou assim. Dedico-me as coisas. Nas pequenas, nas grandes. Tanto faz, eu me dedico.  Visto a roupa de viver, que baseia-se em um sorriso e um bom-dia, pra alcançar a média na faculdade e dar orgulho a minha mãe, pois só ela é merecedora desse orgulho. Pobre de nós.  Ainda temos uma a outra e ainda tentamos de todas as formas ter perspectiva. Até enfeitamos a casa pro natal. É preciso viver.
 
Vazio. Eu te ouço.
 
Mais tarde pintarei os olhos de preto. Comprarei uma tela branquinha, pronta a pintá-la com tinta a óleo, algo que ainda não sei, mas que de certo vem de dentro. Pinto pra ninguém. No fim, eu mesma a amo. Ciclo. Ciclo. Insuportável ciclo. Os dias são mais longos que uma vida inteira. Miserável.
Carolina Hanke
Enviado por Carolina Hanke em 19/12/2011
Código do texto: T3396890
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Carolina Hanke
São Paulo - São Paulo - Brasil, 23 anos
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Carolina Hanke



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