É Círio de novo
 
         Setembro. Aqui neste lugar setembro é outubro e outubro é dezembro. Calma. Não é que queira por fim ao ano, não se trata disso. Apenas chegou setembro. Em 22 será primavera. Aqui já é mês que antecede O Círio de Nazaré. Pouco mais de um mês. Providências tantas são tomadas nas nossas vidas. Os festejos Religiosos, agendas, compromissos da Santa Peregrina, roteiros de peregrinações, tudo já pronto, novenas nas casas, visita da Santa ao lar, orações e reflexões, tudo providenciado.
 
         Nas casas do paraense já se armazena patos, nas plantações o corre-corre final para que não falte o Jambu, o Tucupi, Maniva, Maniçoba. Nada pode falhar. Já é visível certo ar de festa na cidade. Aqui costumamos dizer “O Círio ta na porta”. Este ano a Santa sairá da frente da Catedral da Sé completamente restaurada, após quatro anos fechada para recuperação a Catedral que data de 1748, com seu grande Órgão francês, suas pinturas italianas, está de portas abertas a nos esperar. Um motivo a mais para nos alegrar. Completaria se de presente recebêssemos a nomeação de um novo Arcebispo vez que o nosso anterior foi designado para servir no Rio de Janeiro e estamos conduzidos por um Administrador Diocesano. Para o povo católico daqui o Arcebispo é deveras importante. É o cajado maior a nos guiar.
         Mas o Círio bate a porta. Aporta em nossos corações cheios de fé, de amor que anseia por ser demonstrado. Vambora!
 
         Em Belém outubro é quase um Natal. Há quem refira como Natal do paraense. Por isso o calendário meio que adianta. Muitas festas religiosa, profana. Almoço diferente. Passeios diferentes. Ares diferentes.     Reencontros! Roupas novas. Arrumar a casa. Um rol de providenciar. Um imenso confraternizar entre famílias, amigos, entre paraenses e confrades de outros estados, muito turismo nacional e internacional.
         Nessa época precisava ser duas para poder participar de quase tudo. Peregrinações, descida da Santa Original, aquela encontrada por Plácido do Glória, para um Nicho de Flores onde fica até o fim dos festejos. Eu explico:
         A Imagem de Nossa Senhora de Nazaré encontrada pelo caboclo Plácido há mais de duzentos anos, no Igarapé Murucutu onde foi erguida a Basílica Santuário não é a mesma que peregrina por todo o Círio. A Imagem Peregrina é uma Réplica Italiana que sai na Berlinda desde 1969.
         No universo profano tem o Arraial do Pavulagem com o Arrastão ecológico do Peixe-Boi, o Auto do Círio, um incrível teatro de rua, A feira do Miriti, muitos concertos para Maria e tanto mais.
 
         Mas, maior sobremaneira que tudo é a emoção pranteada da Fé, ver o povo se entregar em prece a Maria. Vislumbrar cada olhar brilhando, a energia das mãos erguidas, a voz autêntica da Fé de um povo. Parece assim que cada um dos milhões de romeiros carrega no peito um Círio. A fé que nesta hora ganha imagem e torna-se palpável. É como conduzir a si mesmo aceso, luzente, para homenagear e reverenciar essa mãe amorosa. E de lá da Berlinda ela sente, capta o agradecer, o louvar e o rogar de cada um de nós, e sentimos dela o retornar do amor. Somente quem vivencia este experienciar sabe o que acontece conosco nessa exata hora.
 
         O coração cala, a alma vem e se transporta. Unem-se todas as esperanças. Nesta hora cada um são todos, um só povo. Um só coração.

É amor que não se dimensiona...
 
 
 

Elucidário:
 
Círio - Vela grande de cera.
 

O Glória - fica ao alto sobre o Altar-mor da Basílica Santuário de Nazaré, onde há uma redoma de cristal blindada que abriga a Imagem Original de Nossa senhora de Nazaré durante todo o ano. No entorno um coro de Anjos sobre nuvens, a circundando.
 

Miriti - uma fibra leve da palmeira também conhecida como Buriti e chamada de isopor da Amazônia da qual se fabricam brinquedos há 200 anos no Pará em especial na temporada do Círio de Nazaré.
 
 

Jambu - é uma erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente do Pará. Uma de suas principais características é a capacidade de tremelicar os lábios de seus comensais
 

Tucupi - é um molho de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, que é descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando-se um tipiti). Depois de extraído, o molho "descansa" para que o amido (goma) se separe do liquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o liquido é cozido (processo que elimina o veneno), por horas, podendo, então, ser usado como molho na culinária.
 
 

Maniva / Maniçoba - O nome dado ao arbusto da manihot é maniva. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia). A maniçoba, também conhecida como feijoada paraense, é um dos pratos da culinária brasileira, de origem indígena. O seu preparo é feito com as folhas da maniva /mandioca moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana (para que se retire da planta o acido cianídrico, que é venenoso), acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados.
 
 
 
 
   Para consultar -
http://www.ciriodenazare.com.br/  

      


 
Roseane Namastê
Enviado por Roseane Namastê em 21/09/2013
Código do texto: T4491404
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.