RECORDAÇÃO DE INFÂNCIA:

RECORDO A VELHA CASA DE TAIPA COBERTA DE PALHA NO ACEIRO DA ESTRADA E DE CHÃO BATIDO NO BARRO VERMELHO, NO TERREIRO UM LINDO PÉ DE BONINA A FLOR PREFERIDA DE MINHA AVÓ ENTRE AS MARGARIDAS, TULIPAS, PERPETUAS E BENEDITAS. É ASIM QUE LEMBRO MINHA INFÂNCIA NA VELHA CASA DE TAIPA DE MEUS AVOS, QUE SAUDADE.

DO TERÇO TODAS AS TARDES AS SEIS (06) HORAS LOGO DEPOIS DA JANTA., LEMBRO BEM O ORATÓRIO, AS VELAS DERRETENDO A LAMPARINA QUASE SE APAGANDO E MEU AVÔ TROCANDO O QUEROSENE, NO FINAL DO TERÇO QUANDO A LUA CLAREAVA O TERREIRO DA CASA DE FARINHA, BRINCÁVAMOS DE RODA, DE PASSAR O ANEL, DE PASSARÁS E POR FIM SETÁVAMOS PARA OUVIR COM ATENÇÃO AS BELAS HISTÓRIAS

QUE PAI VEI CONTAVA, ERA ASSIM QUE O CHAMÁVAMOS, ATÉ PARECE QUE OUÇO MINHA VÓ A ME CHAMAR: VEM DORMIR MENINA, E AO ENTRAR MINHA REDE JÁ ARMADA BEM PERTO DO QUARTO DELES E DA PORTA QUE DAVA ACESSO A COZINHA, JÁ FECHADA COM A TRAMELA, E DEBAIXO A BACIA COM ÁGUA PARA MEU PÉS LAVAR.

EU LHES PEDIA A BENÇÃO E MIM DEITAVA OLHANDO A LUA PELAS FRESTAS DAS PALHAS, ADORMECIA FELIZ, E FELIZ ACORDAVA AS CINCO HORAS DA MANHÃ COM O CANTAR DO GALO E O DELICIOSO CHEIRO DE CAFÉ TORRADO E PISADO NO PILÃO, E PAI VEI JÁ SENTADO A MESA PARA FAZER SEU DESEJUM ANTES DE IR PARA O ROÇADO., AO LEVANTAR ENROLAVA A REDE E AMARRAVA COM A CORDA DO JEITO QUE PAI VEI ME ENSINOU E JOGAVA ÁGUA SUJA DA BACIA FORA E IA ATÉ O GIRAU DEBAIXO DA MANGUEIRA ONDE LAVÁVAMOS OS PRATOS EM UMA BACIA GRANDE DE ALUMÍNIO VELHA E AMASSADA, LAVAVA MEU ROSTO COM UMA CANECA FEITA DE LATA DE ÓLEO VAZIA E IA TOMAR CAFÉ, NA MESA UM BEIJU FEITO DEBAIXO DA FARINHA, TAPIOCA E PEIXE ASSADO NA BRASA COM MACAXEIRA QUE TINHA SOBRADO DO JANTAR, ENQUANTO ISSO MINHA VÓ CATANDO O FEIJÃO PARA COLOCAR NO FOGO ONDE JÁ TINHA UMA GRANDE PANELA DE BARRO COM CHARQUE, MIÚDO DE BOI, TOICINHO DE PORCO E REJEITO, ERA ASSIM QUE PAI VEI GOSTAVA, TERMINAVA MEU CAFÉ E IA AMARRAR AS CABRAS E CORTAR A VASSOURA DE MATO PARA VARRER A CASA E OS TERREIROS DEPOIS DE BEM AGUADOS PARA NÃO FAZER POEIRA JÁ QUE ERA TUDO DE BARRO VERMELHO, DEPOIS IA PARA O RIO COM MINHA AVÓ ELA COM UMA TROUXA DE ROUPAS NA CABEÇA E EU COM UMA BACIA DE PRATOS E PANELAS PRA LAVAR, ADORAVA FAZER ISSO PORQUE DEPOIS AGENTE TOMAVA BANHO NUM BANHEIRINHO FEITO DE PALHAS DE PALMEIRAS QUE TINHA NUM POÇO DO RIO ONDE TINHA UM LAJEIRO PARA NOS DÁ APOIO, A ÁGUA GELADINHA O AZUL DO SABÃO ESCORRENDO PELAS PEDRAS, A BEIRA DO RIO COBERTA DE LENÇÕES BRANQUINHOS FEITOS DE PANO DE SACO DE AÇÚCAR CHEIRANDO A ANIL, AS TOSSEIRAS DE BANANEIRAS, E OS PÉS DE ABACATE MANGA, JACA, E TANTAS OUTRAS FRUTAS, MAS TINHA UMA QUE MIM ENCANTAVA DESDE A RAIZ ATÉ A COPA O PÉ DE JABUTICABA CARREGADO DE FRUTOS. TUDO NO LUGAR ME ENCANTAVA.

QUANDO CHEGAVA EM CASA MINHA VÓ COLOCAVA O ALMOÇO DE PAI VEI PRA EU LEVAR NO ROÇADO, LEMBRO QUE A ESTRADA ATRAVESSAVA UMA FLORESTA E QUANDO CHOVIA FICAVA AS POÇAS DE ÁGUA NAS ENCOSTAS E EU SAIA PISANDO E LAVANDO O ROSTO E BEBENDO OS PINGOS DAS FOLHA DAS ARVORES, AS FLORZINHAS DO MATO, AS SAMAMBAIAS, BROMÉLIAS... E NO FINAL UM LIDO ROÇADO NUMA GRUTA COM PEDRAS DE TODO TAMANHO E FORMATO E ENTRE ELAS BROTANDO DA TERRA PRETA E ÚMIDA, FEIJÃO, MILHO, FAVA E ALGUNS LEGUMES, NO MEIO DO ROÇADO UM RANCHO DE PALHA ONDE PAI VEI FAZIA UM CAFEZINHO E DESCANSAVA DEPOIS DO ALMOÇO., DEPOIS DE DEIXAR O ALMOÇO VOLTAVA CORRENDO PARA CASA ALMOÇAR E VESTIR A FARDA DO COLÉGIO: UMA SAIA DE TERGAL AZUL FERRETE BEM PLISSADA E UMA CAMISA BRANQUINHA DE TERGAL FINO, COMO ERA MUITO TRANSPARENTE MINHA AVÓ FEZ PRA MIM UM SOBRETUDO, (UM TIPO DE CAMISOLA) PARA VESTIR POR BAIXO DA ROUPA, O SAPATO CONGA NA MESMA COR DA SAIA COM UMA MEIA BRANCA QUE IA ATÉ O JOELHO, DUAS TRANÇAS NO CABELO AMARRADO COM UM LAÇO DE FITA, ELA ME CHAMAVA DE BONEQUINHA. E ERA ASSIM QUE EU MIM SENTIA.

Jacipoesia
Enviado por Jacipoesia em 08/04/2015
Reeditado em 18/05/2015
Código do texto: T5199634
Classificação de conteúdo: seguro