Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

COMO ENSINAR INIMIGOS ("Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro". Napoleão Bonaparte)

           Na verdade, eu não ensino inimigo algum, ou melhor, não revelo meus melhores truques a quem se protege de mim, ou me tem em pouca estima. Porque ele é um destruidor de minha auto-liderança. E como o mal é de igual poder de contaminação do bem, não posso alimentar de esperança um inimigo destruidor de meus objetivos. Mesmo assim, senti-me receoso e relutante ao chamar de inimigo, os meu alunos denunciadores gratuitos, afrontadores para me derrubar, ameaçadores violentos. As vozes do cemitério que me oferecem desânimo. Quem é o inimigo de quem? Eu ou eles? Confesso que cheguei, por um instante, a pensar que lhes promovo motivos. Mas, conformei-me nos conceitos do dicionário Aurélio: Inimigo - "adj. e s.m. Que ou o que odeia alguém, que procura prejudicá-lo. Que ou o que tem aversão a certas coisas: inimigo do ruído. Nação, país com que estamos em guerra: vencer o inimigo; exército inimigo. Adversário, contrário." Eu não sou assim...Gosto dos meus alunos humildes. Inimigos são os ruins!
           O estado deveria processar os maus alunos e seus pais para fazê-los devolver o dinheiro público investido neles, mantendo outros mais dedicados na escola pública como melhor qualidade. Li aqui na net que um aluno da escola pública custa para os cofres públicos R$ 2300,00 por ano, menos do que se investe em um preso, mas é dinheiro também mal empregado. Então, prendem os políticos corruptos e continuaremos sustentando-os na cadeia! Todavia, em nosso caso, o nosso dinheiro, também, continua patrocinando a violência na escola e reprovação, ou melhor, aprovação sem mérito. Porque a escola tem mascarado isso, passando o aluno, para a série seguinte, sem mérito, para as estatísticas altas justificarem o dinheiro desperdiçado, porém alguém tem de restituí-lo para beneficiar os que devolverão com serviço de qualidade, o que ganhou nos estudos, à sociedade. Já que não posso me recusar a dar aulas a estes incautos, pois estão misturados, queria me recusar a pagar meu imposto de renda e outros impostos para mantê-los. Mas, se eu o fizer, então serei o inimigo do rei, digno, também, de todas as restrições.
          Atribuir nota aos filhos da escola, por qualquer isopor pintado que trazem, ou por articulações de festa "culturais", levando feijão cozido, ou por assistirem aos jogos interclasses e torcerem freneticamente,  não é dar-lhes poder, o poder estar no conhecimento, aliás só o conhecimento dá poder, disse Leonardo da Vinci: "Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe."
            Um dia eu me recusei a ministrar aulas particulares de redação, apesar da proposta de um bom pagamento, para um ex-aluno dos atrapalhadores da sala, desrespeitadores do direito de aprender dos demais estudantes e disse a ele: Não preciso de seu dinheiro, todos os dias estive em sua sala e nunca prestou atenção em mim. Ensiná-lo agora seria anular as consequências, as quais tanto esperei vê-lo sofrer. O que eu pensava de meus professores me fez a diferença, eles não foram maiores por que eu os respeitei, mas eu sou maior por que os obedeci.
           Depois dizem que professor não marca aluno!  E fui contra o que disse Arthur Schopenhauer: "Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de atos. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno". Que Deus tenha misericórdia de mim, pequei por palavras!
Kllawdessy Ferreira
Enviado por Kllawdessy Ferreira em 11/06/2016
Reeditado em 24/06/2016
Código do texto: T5664541
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Kllawdessy Ferreira
Goiânia - Goiás - Brasil, 57 anos
634 textos (83763 leituras)
2 áudios (293 audições)
1 e-livros (78 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/05/17 03:50)
Kllawdessy Ferreira