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"QUEM SÃO ELES?" ("Quem eles pensam que são?")

           Era a primeira reunião pedagógica do mês de agosto, deste ano. O que deveria ser o primeiro dia de aulas do segundo semestre, foi o tal momento pedagógico. Não foi diferente ali, do que comumente acontece; ouvi e tive que aceita determinações e outras coisas de tirar lágrimas dos olhos de crocodilo. Aprovaram inclusive o que em outras reuniões já tinham condenado, é o vai e vem da inutilidade, como pedaços de fezes boiando n'água. Meu voto está sempre na minoria. Não vale nada!
           Não compreendo alguns colegas de trabalho, professores maduros até. Nas reuniões pedagógicas, não são muito propícios a ideias inovadoras; graças a Deus, ainda há aqueles poucos que se propõe a uma ousadia. Na verdade, eu não sei o que quis dizer a colega quando reclamou de professor na unidade que  afrouxa demais as normas com os alunos para ganhar a simpatia deles: tornar-se o "bonzinho". E ela chegou ao absurdo de exigir que os colegas não sejam bonzinhos, pois desconfiava que mesma poderia se passar de má, visto ser a única "rígida" da escola, a seu modo: "Ideal"?
            Eu sempre acreditei que a diversidade faz a cultura. Por isso, senti-me muito agredido com esse desejo de uniformização no trato com o aluno e procedimentos didatísticos em sala, proposto pela professora. Esse tipo que mendiga a admiração dos alunos é capaz de afirmar que só ele procede corretamente. Será se ela está sugerindo que todos da unidade escolar trabalhem do seu jeito para não ter distinção? Ou melhor, será se ela quer anular o direito de escolha do aluno de gostar desse ou daquele professor? Mas, eu continuo pensando que se todos pensassem igual, ninguém pensaria grande. Assim como disse Carlos Drummond de Andrade: "Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar." Estaria ela pensando no crescimento da escola em que trabalha ou só está pensando em si mesma?
           O maior medo do professor inseguro é que os seus alunos venham a gostar mais dos outros do que dele. Para seu conforto digo, ninguém consegue agradar a todo mundo. O professor de quem os alunos gostam mais é o de educação física. Será se todos os demais enciumados deverão dar "bola" aos alunos para se equipararem? O Horácio já disse: "O invejoso emagrece com a gordura dos outros".
           Se tratam assim os colegas, como tratam os seus alunos? Assim nos conselhos pedagógicos que deviam se apurar as melhores ideias para as mudanças da educação, cultivam se ainda esses atrofios. A educação não cresce porque deixará muitos para trás, e esses lutam com o apoio da liderança a fim de continuar na zona de conforto. Um conselho de classe ou uma reunião pedagógica é boa quando tratam de coisas que preservam a zona de conforto para a maioria. Uma andorinha só não faz verão, por isso tudo continua igual!
"Andorinha lá fora está dizendo:
— Passei o dia à toa, à toa.
Andorinha, andorinha, minha canção é mais triste:
— Passei a vida à toa, à toa."
(Manuel Bandeira)              
Kllawdessy Ferreira
Enviado por Kllawdessy Ferreira em 09/08/2016
Reeditado em 13/08/2017
Código do texto: T5723318
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kllawdessy Ferreira
Goiânia - Goiás - Brasil, 58 anos
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