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Desabafo [ 09/09/2007 ]

De repente me peguei pensando em coisas que não deveria pensar, coisas que me deixam triste, que machucam meu coração e me fazem derramar lágrimas.
Já passa de 5 da manhã e o sono está longe de me visitar. Falta de sono é sempre um problema, acabamos pensando demais e muitas vezes os pensamentos se desviam pra direções que não deveriam. A música no rádio também não ajuda muito.
A vida não é fácil, não é?! Passamos por tantas coisas, tantas dores, mágoas, injustiças. E mesmo assim o que nos resta, senão levantar no dia seguinte e encarar um novo dia, por mais destruídos e estraçalhados que estejamos?! Só nos resta abrir um sorriso, estufar o peito e “encenar” para o mundo que vamos muito bem, obrigado, mesmo que bem seja um estado um tanto quanto utópico naquele momento.
É complicado, mas a vida é isso. Uma hora “encenamos” tanto um determinado papel que ele acaba se tornando nossa realidade, e ao abrirmos nossos olhos novamente, percebemos que estamos prontos pra outra e outra e assim por diante.
Entre todos os altos e baixos que passei na vida, agradeço a Deus por ser quem sou. Talvez tivesse motivos suficientes para ser um alguém completamente diferente, mas graças a seja lá o que for, não sou.
Já chorei por coisas que não valiam à pena, já dei valor a pessoas que não mereciam, já caí e me levantei incontáveis vezes. Já quebrei o braço, o pé, já fiz fisioterapia, já fiquei internada, já perdi aula por estar de cama e até mesmo já vi a morte bem de perto. Já sonhei estar no auge da felicidade e no dia seguinte me vi no fundo do poço da tristeza e nesse exato momento estou com medo, muito medo.
Tenho uma família maravilhosa, uma avó que é simplesmente nada mais que o tudo, um pai que é meu grande orgulho, uma mãe que mais parece minha irmã (às vezes mais nova). Não sou de muitos amigos, talvez inúmeros conhecidos, mas tenho a melhor amiga que poderia encontrar. Tenho saúde (cóf, cóf), tenho um emprego, tenho um teto pra me abrigar. Tenho comida na mesa, água quente no chuveiro e um travesseiro fofinho pra dormir (juro que adoraria estar sonhando agora, de preferência com aquele que faz meu coração bater mais forte, claro). E, por Deus e toda sua sabedoria, encontrei em meio ao caos uma pessoinha maravilhosa (Picareta *rs) que muda meu dia pelo simples fato de existir.
E daí vem à pergunta, por que raios esse medo todo? Medo de acordar um dia e não ser mais assim, medo do tempo passar e tudo ser diferente, medo de me afastar dos que amo, medo dessa felicidade toda um dia virar pó. Medo de me tirarem as poucas, mas maravilhosas coisas que me tornam uma pessoa feliz. Medo de não ter mais os detalhes que fazem toda a diferença. Medo de ser deixada pra trás, medo de “pontos finais”.
Talvez seja paranóia minha estar pensando nisso agora, mas quando a mente decide viajar, fica difícil controlarmos exatamente por que caminhos ela irá seguir. Talvez ao acordar pela manhã (daqui a pouco) tudo isso não tenha passado de uma nuvem negra que se foi com a força do vento ou talvez pareça apenas um sonho ruim, fruto de uma noite mal dormida.
De fato, penso que essa cachoeira de letras não me levará a lugar algum, que será apenas mais um amontoado de palavras esquecido numa pasta qualquer do computador, mas, por hora, serviu de alívio para um coração aflito, transbordando de medo de perdas.
Talvez por isso, muitas vezes, eu pareça exagerada, pois sou sempre muito intensa em meus sentimentos. Qualidade? Defeito? Não sei! Possivelmente uma salada mista dos dois, mas de certa forma uma garantia para os que me cercam. Quando disser que AMO é porque realmente AMO e quando disser NÃO GOSTO, simplesmente tento fingir que aquilo que me desagrada não existe. Ódio é um sentimento inexistente em minha vida.
Poderia passar horas a fio com meus devaneios, mas nesse exato momento o relógio marca 6 da manhã e 10:45h estarei de pé para um longo e cansativo dia.
Não espero que me entendam em todas as situações, só espero que me respeitem SEMPRE.

                                   [09/09/2007]
Áname Dálida
Enviado por Áname Dálida em 22/09/2007
Reeditado em 22/09/2007
Código do texto: T663141

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Sobre a autora
Áname Dálida
Santos - São Paulo - Brasil, 32 anos
4 textos (188 leituras)
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Áname Dálida