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Macaréu - 1ª parte (trechos)

Nunca devo ter te falado do contato profundo e à flor da pele que é o mãos-dadas-e-se-acariciando. É contato bem verdadeiro e que nos atinge lá na esfera de sentimento: ponte que surge entre o teu tigo e o tigo da outra pessoa. Dessa forma, a conversa flui, pois a sensação de “eu estou aqui te ouvindo e te entendendo e te amando” é mútua, ambos sentem.

A palavra não perdoa nem a mim: ela também se faz de maneira própria e incrível. Eu, na verdade, não tenho assunto fixo sobre o qual te escrever. Por isso, o que te apresento não passa de coisa do momento e que me vem, e que te vai.

[...]

Tenho surtos de baixa literatura durante aulas de Física, Biologia... Impulsionado por mim, escrevo. Se não escrevo logo, alguns deles podem até se perder num hiperespaço. Há surtos que me vem também entre um cochilo e outro. Logo eu, que falo bocejando. Logo eu: que quero ser feliz. Deve ser desejo natural de quem é humano. Feli-ser-se. Sou limitado, está mais claro que nunca.

Isso tudo, já sei o que é: “como não se deve escrever, ou leitura fácil para fins de incompreensão do agente”. É um desvio do objeto.

Ando meio desiludido com não sei o que. Deve ser coisa dessa vida, a vida. Desiludir-se, inclusive, é ser humano. Estou sendo de natureza humana.  É isto o que sinto? Mas sentir não se explica, apenas sente-se para si. Exceções são quando se sente coletivamente, mas mesmo assim, ainda resiste um pouco de... Ah!

Josefina é um nome forte, e nem ao menos sei por que razão te digo isso. Não sei também a razão das páginas anteriores que te falei. (Não disse ‘’meu Deus’’ por que ele já não me pertence mais). Sou-me incremento, e até egoísta: a propriedade privada me subiu à cabeça e não sei, não sei.

Existo uma ferida viva.

[...]

Parece que fiz tudo, mas ainda há muito que fazer. Meu serviço de educação de bom selvagem de mim mesmo está só começando, continua.

Apelo sem fronteiras: fiz algo entre o permanente, o passageiro e o verdadeiro: saudosismo. Fiz mais para mim que para ti, e pode ter sido um passo importante de uma vida entre linhas e recém-chegada. Entrei no meu sertão e fiz. É também preciso fazer isto que estou fazendo para que se evite a repetição, por que ainda não sei lidar com ela.

Tão abertamente disse que amei.

Tudo se passou em mim, e já estou perdido.
Rosiel Mendonça
Enviado por Rosiel Mendonça em 10/10/2007
Código do texto: T688471

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Sobre o autor
Rosiel Mendonça
Manaus - Amazonas - Brasil, 27 anos
69 textos (2370 leituras)
2 e-livros (263 leituras)
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Rosiel Mendonça