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OCIO AFLITIVO


OCIO AFLITIVO

Há momentos em que estagno e conto cada segundo para que algo se transforme, e eis que de repente, nada mudou, fico contando sílabas de palavras não ditas, imaginando absurdos que poderão acontecer caso eu resolva dar um passo fora de casa. Nada é imaginado como possibilidade viável para alguma coisa, instala-se uma verdadeira desordem interior que me coloca em estado de estafermo; se não prejudico ninguém, também não ajudo ficando a espera de alguém para me salvar desse marasmo de coitadinho ao qual adotei como filosofia de vida. Não é o bastante sentir as coisas em volta, acabamos transmutando-as sem finalidade alguma e viramos cafetões do nosso tempo na medida em que o que é produzido, nesse tempo ocioso, quase nada é aproveitável e o nosso umbigo se torna o centro do mundo numa completa declaração de egoísmo para com as dores alheias.



Elvira Pereira de Araújo
Enviado por Elvira Pereira de Araújo em 18/10/2007
Código do texto: T699367

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Sobre a autora
Elvira Pereira de Araújo
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 53 anos
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