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Sonho de uma noite de morte

  Morrerão as damas camélias que tanto fizeram de suas noites falsas alegrias e esmoreceram em choros ao amanhecer.
  Cairá a cruel sina sobre o homem maduro, cordial e triste como também sobre o lavrador e os demais seres de mãos calejadas.
  Vão-se embora as moças novas parecendo, e apenas parecendo, ter em si um universo de sonhos e vida. Antes seja assim, eis que é dura a decepção quando se descobre que nem é tão belo o sonho que se guarda na memória.

  Eu morrerei e comigo todos os meus personagens terão passado. Juntos além dos contos e das prosas, da felicidade e dos versos e do inexplicável porquê dos lamentos, estaremos mais unidos que nunca e seremos, então, passado.

  O amor e suas dores de cunho desesperado. A palavra e o arrependimento. O pensamento com suas palavras demais. Que de tantas, faz com que a gente se perca.

  Ah, mas tudo será diferente. O sol sempre nasce amanhã.
 
  Quando a morte vier me visitar que me encontre em meu leito com um sorriso nos lábios, lívida e resignada. E tal qual um sopro de aurora, pouse sobre a minha pele e nela fique imersa, de textura jovem e fastiada.
   Neste pequeno instante, suba ela ao pensamento e depois desça ao coração. Roube assim o quanto lhe aprouver, entre mágoas, amores, bons e maus momentos. É de minha vontade que se lembrem apenas os que vivem, se quiserem lembrar.

  São três sinos, duas sortes, um anjo e esta porta que acabo de atravessar.

  Quando olharem meu corpo, não solucem. Se houver no observador a menor curiosidade acerca dos desprazeres da morte...
  Não existe o desprazer.
  Não existe mais o amor. E só mesmo a morte, por ser tão dura, consegue encerrá-lo.
  Nem se toma licor em cristais sobre almofadas de cetim.
  Ora, não há nuvens de algodão.

  Ela chega de leve, serena. De repente, num suspiro só de saudade, fagulhas no ar.

T O D A V I D A S E D E S M E M B R A

  Em trechos relapsos que nada mais dizem e que jamais serão revistos.

  Jaz o amor, a dor, a culpa, o sono e o mais que houver na piedade de quem fica. Minha alma do cárcere está liberta. Livre, enfim, para tilintar entre uma e outra vida. Entre todas as esperanças.
  Sem patifarias de condolente imagem.
  Atravesso as portas do infinito. Cruzo a barreira da eternidade.

  Acredite, ela cabe na palma da minha mão.

Géssica Ranieri.

Géssica Ranieri
Enviado por Géssica Ranieri em 28/10/2007
Código do texto: T713239

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Sobre a autora
Géssica Ranieri
Santo Antônio de Pádua - Rio de Janeiro - Brasil, 27 anos
36 textos (7587 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 02:52)
Géssica Ranieri