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Impotência

Impotência
29/08/2007

 Gostaria de criar frases bonitas, metáforas surpreendentes  que encantassem o leitor e o cativassem. Mas vou escrever do meu jeito simples, direto demais e sem brilhantismo, já que não fui agraciada com o dom da escrita.
 Hoje cheguei desolada da escola, como acontece toda quarta-feira. Tenho apenas duas aulas nesse dia, as duas últimas do período noturno, o que por si só já é um motivo para que eu saia de casa um tanto descontente. A classe que me espera, no entanto, é o motivo principal do meu desânimo. Não creio que eu seja capaz de descrevê-la,  talvez nem mesmo seja preciso...
 Durante as quase duas horas em que estive lá, só conseguia pensar que queria ir embora. Não fazia mais que torcer para que as horas passassem rápido.
  De repente eu ouvi um aluno verbalizar meus sentimentos, ele passara pelo menos uns 20 minutos sem sequer dignar-se a tirar o caderno de dentro da mochila que nem havia tirado das costas: “Quero ir embora! Não agüento mais!”. Ele disse. Percebia-se, pelo tom de sua voz, todo o seu descontentamento, e, por que não dizer desespero, por ser obrigado a ficar ali. Espantei-me. Ele lera meus pensamentos. Solidarizei-me com ele. Naquele instante éramos iguais... Ambos prisioneiros.
 Num canto da sala alguns alunos pareciam zumbis – não conversavam, não faziam a lição e quase não se mexiam. Limitavam-se a respirar e a piscar os olhos.
 Do lado oposto, um aluno “brincava” com o celular da colega ao lado que o olhava placidamente enquanto ele explorava todos os barulhinhos irritantes do bendito aparelho. E, como se não bastasse, dizia inúmeras bobagens sem sentido enquanto ria sozinho de suas piadas sem graça.
No centro da sala uma meia dúzia de “esforçados” tentava solucionar as questões que eu havia passado, de uma forma bem característica: copiando dos “mais sabidos”. Estes eram apenas dois. E mais sabidos simplesmente porque conseguiam entender as questões e identificar no texto as partes que falavam sobre os temas questionados.
E assim duas aulas se passaram, duas aulas se perderam...
Não sabia, e ainda não sei, se devo me sentir vítima ou vilã desta história. Ou os dois...
Tudo o que sei é que me sinto cada vez mais impotente. Sem forças para reagir e correr de um monstro escuro e sinistro como um denso nevoeiro em noite fria que quer me incorporar ao seu mundo de trevas sem esperança.

luaclara
Enviado por luaclara em 07/11/2007
Código do texto: T726644
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Sobre a autora
luaclara
Santo Anastácio - São Paulo - Brasil, 47 anos
22 textos (654 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 01:21)
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