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DINHEIRO

Dinheiro é muito bom,
Mas pode ser seu inimigo,
Basta você estar com ele,
Que corre muito perigo

Sem dinheiro ninguém vive,
Podemos imaginar,
Com bom dinheiro no bolso,
Podemos até viajar

Com dinheiro fazemos tudo,
Menos a saúde para comprar,
Mas pode adiantar a vida,
Em um bom hospital se tratar

Saúde agente tem que ter,
Não se deve a ela estragar,
O dinheiro compra tudo,
Mas a saúde deixa a desejar

Com o dinheiro se faz tudo,
Pode muito mais se possuir,
O dinheiro faz  tudo,
Só não faz defunto sorrir

O pobre tem vida sacrificada,
Não pode comprar o que quer,
Mas vive a vida sossegada

Nesta jogada de cintura,
Podem trabalhar até de pedreiro,
Mas eu nunca vi um bobo que não gostasse de dinheiro

Os ricos tem que ter muito cuidado,
Com seus bens de herança,
Eles não tem muita liberdade,
Porque vive aos olhos da segurança

Sem segurança eles não podem sair,
Vivem um pouco acuados,
Porque a qualquer momento podem ser seqüestrado

Os ricos ficam danados com esta privação,
Eles podem ter tudo,
Liberdade eles não tem não,
Os ricos correm perigo,
Mas sua vida é muito boa,
Possuem tudo o que quer,
Até muitas mulheres,
Correm o risco de apanhar da patroa

Tem muitos ricos bons,
Que faz muita caridade,
Doa muita comida aos pobres,
E vive uma vida de verdade

Os pobres são assim mesmo,
Uns aceitam a pobreza,
Outros não,
Os que entram para a violência,
Sem ter piedade do cristão

Tudo isto por dinheiro,
Será que isto é bom,
Nós termos medo de nós mesmos,
È tocar viola sem som

Dinheiro até os bobos querem possuir,
Você dá um dinheiro a ele,
Ele começa a sorrir,
Sai gritando  está aqui

Coitado de um que o dinheiro dele quiser tomar,
Ele faz todo o reboliço,
Pode até querer matar,
Faz tudo isso por dinheiro,
Não sei se chega lá

Quem procura muito dinheiro,
Pode até ficar maluco,
Dinheiro não se leva para o céu,
Dinheiro só esquenta a cuca

A gente fala mal do dinheiro,
Porque não fala do seu bem,
Com o dinheiro a gente compra tudo,
Porque não dizer amém

A inflação no Brasil,
Esta sobre controle,
Mas as taxas do governo não param de subir,
Não sei como fazer,
Isto não posso engolir

Se eu pudesse,
Eu fazia as taxas abaixarem,
A sonegação diminuía,
A receita aumentava,
O governo poderia fazer mais,
Ele poderia bater palmas e até dar boas risadas

No sertão quase não precisa de dinheiro,
È um tal de troca troca,
Troca arroz pelo tecido,
Troca farinha pela mandioca,
No fim da historia tudo vem da roça

Quando eu era garoto,
Trabalhei em Cristalina tirando pedras de cristal,
Namorei muitas meninas,
Ganhei muito dinheiro,
Arrumei a minha mala,
E fui para o rio de janeiro

Lá eu gastei tudo,
Fiquei quase sem nada,
Voltei de novo para Goiás,
Parei na beira de uma estrada,
O vento me soprava,
Parecia que ele me dizia,
Segue em frete homem danado

Procurei andar mais,
Procurar o que fazer,
Parei em uma cidade de Goiás,
Por nome de Aurilandia,
Arrumei muitos amigos,
Não tinha nenhuma vagabunda,
Gastei todo meu dinheiro,
Meu Deus que mundo

Arrendei um pedaço de terra,
A vinte e cinco por cento,
Trabalhei dia e noite,
De unhas e dentes,

Quando estava escurecendo
É que eu voltava para casa,
Trabalhei muito,
A noite eu descansava,

Todo este sofrimento foi por causa de dinheiro,
Por que sem ele ninguém vive,
Até o pai de terreiro
Queima todas as suas velinhas,
É por causa do dinheiro,
Se eu fosse avaliar tudo,
Este poderia ser meu parceiro

Pobre é quem mais fala sobre dinheiro,
Porque sem dinheiro ele não faz nada,
Vive passando fome,
Andando pelas estradas,
Humilhando para quem tem comida,
Este povo esta errado

Já passei por tudo isso,
Só nunca peguei no alheio,
Respeito os meus princípios,
Herança dos meus pais,
Meus filhos também vão seguir,
Deus fez,
Deus faz

Um dia eu vou ser passarinho,
Para poder voar,
Para achar dinheiro fácil,
Para os outros eu ajudar,
Pode ser em loteria,
Ou uma barra de ouro eu encontrar

Será que isso acontece,
Será que não estou sonhando,
O homem só voa através de aparelho,
Passarinho o homem não é,
Se o homem voasse sozinho,
Muita coisa aconteceria,
Poderia pegar uma ventania,
E morrer de agonia

Já é hora de parar,
São vinte e três horas,
Não ganhei dinheiro,
Mas também não choro,
Quero ter um repouso,
Depois eu vou embora,
Levo lembrança a todo caminho,
Mas agora é hora

Caminhando quero ir,
Até  Serra Pelada,
Ver se ainda tem um restinho de ouro,
Para eu trazer e vender,
Comprar minha casinha,
E depois tenho onde esconder
Matos
Enviado por Matos em 14/12/2005
Reeditado em 02/06/2006
Código do texto: T86037

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Sobre o autor
Matos
Goiânia - Goiás - Brasil, 83 anos
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Matos