DESDÉM

E hoje dia de sol

já não sei o que sinto

e se sinto, omito

não faz mais sentido

e se faz, eu minto.

São minutos, horas

dias sem sentidos

sentinela na janela

olhares adormecidos

sentires intrometidos.

Mitos?O que importa?

Foi-se a hora, jaz o tempo

febril, glorioso, comedido

restou o descompromisso

sem o agrado prometido.

Nem ligo, ainda sigo.

Não paro, nem me desgarro

escarro no que foi dito

não há mais vício, nem laço

o trato foi rompido.

Há parca lembrança

há augúrio e enfado

fardo encarcerado

sonho que já não sonha

desejos corrompidos.

Há na ponta da lança

lâmina cega a rançar

o gosto insípido do passado

o lodo a beira do poço

em todos os sentidos sentidos.

JP27102012

* Essa poesia foi inspirada na poesia "Estopim" do estimado poeta Milton Moreira.

Visitem a página do autor: http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3954378

Aglaure Martins
Enviado por Aglaure Martins em 28/10/2012
Código do texto: T3957052
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