Pluma de chumbo

Fluidos eclodem pelas córneas

A alma, exaurida, evola-se

Pluma de chumbo que flutua

Destino, fado, sina, ventura

Presente de um pretérito sem cura

Aos ouvidos, doce melodia

Um réquiem, desterro de amargura

Infarto agudo do miocárdio

Um mesmo músculo, uma outra fissura

Essa tal atração interpessoal

Unilateral

Congela a chama não alastrada

Efeito quase mortal

Faz de amor, uma vaidade

E de sonhos, desilusões

A realidade não vem com espaços

Nem com tempo para paixões

Não há céu o bastante

Para uma pluma de chumbo

Tampouco há gravidade

Para levá-la ao chão

Pedro Alencar
Enviado por Pedro Alencar em 21/05/2014
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