FÉ NORDESTINA

De fome morreu José

Lentamente morre João

Ninguém aqui perde a fé

E a fome devora o sertão

Maria caminha raquítica

Zefinha definha em pé

Josefa ficou paralítica

De fome morreu Zezé

O sol lambe o verde da terra

Sugando a água do chão

A morte sorri lá da serra

Do homem de rosário na mão

A fome em veredas fantasmas

E a morte subjugando a razão

As almas cansadas e secas

Ainda assim pedem perdão

Morte e vida Severina

Vidas loucas vidas secas

O quinze nunca termina

Grande sertão: veredas

Leilson Leão
Enviado por Leilson Leão em 04/06/2007
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