CONCHA

Existi

Caí por tantas vezes

Me quebraram

E de aço, na verdade, um titânio

Eles me remendaram

Endureci na aspereza da terra

De basalto era...

Um barro vermelho

Sou daquelas, da cor que impregna!

E nada tira

Marcada estou.

Por ser morena, (mas...)

Uma mulher de cor!

_Como, por quê?

Me julgariam

O medo gritava, ecoava

Como Van Gogh fez

Grito calada

Ninguém sabe, ninguém vê

A lágrima no Pai Nosso

De cada dia, me dai hoje

A boa Morte!

Disse-me ela

Aquela que invoquei:

_Tirei-te o viço, tirei-te a luz"

Que jamais darei...

Fechada, encapsulada

Nenhum grão em mim entrará

Nenhum amor

Nem decepção

Vendo o último raio

Tudo vai ficando mais turvo

Assim me fecho deixando

Que as águas me levem

Para bem longe, bem longe

De mim.

Madame F
Enviado por Madame F em 28/01/2024
Reeditado em 28/01/2024
Código do texto: T7987010
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