ESPELHO URBANO

Em frente ao espelho

vejo um reflexo enfurecido.

Alguém fazendo um apelo,

uma imagem, um gesto, um grito.

Um rosto marcado pelo tempo,

um tempo gasto inutilmente.

O espelho não espera o momento,

não conhece a nossa mente.

Em frente ao espelho,

caras e bocas ainda reagem.

E o tempo passa sem atropelo,

levando sem dó a imagem.

Em frente ao espelho,

existe só realidade,

maquia-se com empenho,

mas o que manda é a idade.

O tempo é implacável,

não tem como desligar.

O espelho se fosse amável,

em nada poderia ajudar.

O tempo sendo nosso aliado,

consegue nos refinar.

Mas o relógio do tempo,

não pode o tempo parar.

SILVIA TREVISANI
Enviado por SILVIA TREVISANI em 16/09/2010
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