Adiante

Da vida, eu prefiro as pausas

O momento sublime, do não

A vaidade que alimenta o sim

Nunca foram opções para mim

Eu não sou dada a emoções rasas

A euforia, condição minha

É também minha cova e loucura

Euforia é vício,

É resquício de nada

Que não dura tempo suficiente para ficar

O mundo é um lugar do avesso

O meu mundo é avesso do avesso

Costumo pensar que nasci ao contrário

E a contramão é o meu lugar certo no mundo

Minhas pausas,

São as preces que faço a esmo no escuro

Minhas preces,

São as palavras que não digo quando fico mudo

Minha conduta está no olhar

E as janelas da minha alma não se fecham

Eu sou

O que sou e aceito isso

E me dou o direito do silêncio

E da ausência

Porque da vida, eu busco as pausas

Admirando-as como flores prestes a nascer

Recolho-me a ínfima parte de mim

Que não sucumbi

Que segue atenta

E não espero próximos passos

Minha trilha eu mesmo faço

Charlene Angelim

Charlene Angelim
Enviado por Charlene Angelim em 16/01/2017
Código do texto: T5883357
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