DESCONFORTO DA MADRUGADA

 

A noite corre fogosa,

A lua ainda espia o mundo,

A madrugada vadia sonolenta,

E eu aqui, esperando o sol.

 

Minhas memórias rebuscando tempos,

Imagens rodando, revivendo os idos,

O travesseiro revisando a vida, minha,

E eu procurando meus próprios conselhos.

 

Esqueci a vida lá fora,

Releguei a noite, até mesmo a lua,

Cuja luz tanto já lumiou meus sonhos,

Tantos transformados em fatos,

Outros tantos perdidos nas trilhas,

Alguns ainda remoendo meus planos.

 

Abraço meu travesseiro inteiro,

Buscando falas que rumem meu norte,

E só escuto queixas, cobranças e reprimendas,

Dos feitos tortos, com defeitos,

Que me persisto em tentar esquecer.

 

A coberta que me acoberta me consola,

E me distraio no calor confortante que dela emana,

Mesmo assim não sustenta as minhas necessidades,

Que a memória teima em derramar sobre mim,

Comparando ao corpo dela, que partilhava calor vivo.

 

Tento me aconselhar comigo,

Saber dos meus próprios palpites para o dia seguinte,

Mas só o silêncio mudo me responde, em silêncio,

Que somente será quebrado quando o sol chegar,

Separando outra madrugada de reflexão exagerada.

 

 

 

Eacoelho
Enviado por Eacoelho em 02/08/2022
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