CABRA-CEGA

Jogue-se de olhos vendados

Adivinhe quem está do seu lado

Finja conhecer sem ver

Finja até esquecer

Que o jogo já vem acabado

Perdido

Uma cabra-cega na beira do penhasco

Confiante e andando

Adiante, cantando

Ignorante da regra maior

Da rede da dor

Que só a quer chorando

Ajoelhe-se de olhos vendados

Perceba os punhos amarrados

Atinja metas sem querer

Cresça sem saber

Que os jogos já vêm quebrados

Que os olhos já vêem furados

Distorcidos

Uma criança rebelde na beira do penhasco

Saltitante e gritando

Sorridente, correndo

Carente, sofrendo

Inocente, escondendo

A dor que dizem ser melhor

A cegueira que vem se estabelecendo

A cabra-cega da vida

Com a barriga doendo

Alex Steinhorst
Enviado por Alex Steinhorst em 16/08/2006
Código do texto: T218267