CAMINHÃO DO LIXO

O motor estridente do caminhão do lixo
Nos contêineres o barulho estrondoso e prolixo
Os gritos dos garis na noite
Trazem o inferno pra bem próximo
Parece um terremoto a ruir os prédios
O mundo a espedaçar-se num açoite
Numa pancadaria de aço e concreto
E aquele cheiro no ar, fétido, indiscreto
Como resina de enxofre ou bafo de gambá
Nem parece, aos garis, incomodar
Na quieta madrugada
As crianças que dormem
Pouco lhes dá que lhes acordem
E ao ancião com voz engasgada
Assustado após sono profundo
Atrás da combe
Que o levou em pesadelo ao fim do mundo
E o despertou numa hecatombe.
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Nada contra os garis, cidadãos de bem, trabalhadores concursados para um serviço essencial. Porém o SLU (Serviço de Limpeza Urbana) os envia para a coleta de lixo no período noturno e nas horas mais inconvenientes: às 3h da madrugada,
prolongando-se até às 6h. 
"Durma-se com um barulho desses" e enfrente-se, com bom humor, um dia de trabalho após esse sonho dantesco.
LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 27/07/2012
Reeditado em 28/07/2012
Código do texto: T3800604
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