''O corte''

''O CORTE''

A banheira transbordante

O sabor de minha febre

A água se esfrega na alma

Na obsessão de torná-la pura

Limpa!

O líquido ardoroso de Baco

repousava em minha mão

E como um cálice

O levei à boca

Me deleitando em seu veneno

A navalha na outra palma

Desejava conhecer o profundo

No primeiro corte

lembro de ver o espião

Andando na estrada

Não havia mapas

A linha do desatino o conduzia

A estrada deserta

Pintada em branco e preto

O corredor

sem saída!

Caminhei perseguindo o vulto

Milhas infindas

Calafrios invadiam as têmporas

A insanidade me libertava

O pulso jorrava sangue

A artéria perfeita

A imensidão da angústia

O espião segurou-me

Empurrava-me na distorção

Figuras estranhas

A estrada tomava cor

O vermelho se esparramava

Meu profeta havia se esvaído

Vinho e navalha

Companheiros de jornada

A febre se apressava

Meus olhos cegos

e o abandono

Logrei o presente pragmático

O estranho desfalecido

O lírio jogado na estrada de qualquer um.

By Morphine Epiphany

(Cristiane V. de Farias)

Morphine Epiphany
Enviado por Morphine Epiphany em 13/01/2015
Código do texto: T5099882
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