Devasso Leito

Dona dessa Terra oca,

da Natureza egoísta;

ouça meu suplício,

meu soluço choroso.

Afaga, redentor d'alma,

com tua presença,

este coração vazio.

Extinga do meu peito sôfrego,

o enlace que este destino amargo

teceu no ventre.

Preciso do leito; livrar-me-ei

do elo tenaz de angústia e

melancolia. Sou um verme,

um verme sem igual,

o mais desvirtuoso; sou

uma Lavanda murcha, sem

seu pardal.

Enrole-se neste macilento,

apodere-se das minhas vísceras,

comprimindo todo este corpo

vil. Estou tão cansado. Leve-me.

Leve-me à não-existência;

atenda meu pedido, e faça-me,

assim, descansar do teatro

em ruínas que chamamos de viver.

Johannn
Enviado por Johannn em 16/07/2023
Código do texto: T7838450
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