Poetas e Cantigas...

I

Sendo um dom do pensamento,

Com palavras num sem fim...

Como plantas de um jardim,

Enfeitando o chão cinzento...

Elas brotam no momento,

Como brota a verde espiga...

Um condão que se mastiga,

Nesta minha opinião...

Eu acho que é vocação,

Isto de fazer uma cantiga...

II

Bem temperada pela rima,

Que lhe dá forma e beleza...

Dá sentido e mais firmeza,

Se a moral nos vem de cima...

Uma grosa quando lima,

Pela forma mais concreta...

Faz-se trova de um profeta,

Enfeitada com grainhas...

E as palavras são rainhas,

Como a "lei" manda ao poeta...

III

O que é dito pelo mote,

É destino e pão da obra...

Verso a verso se desdobra,

No sentir de cada dote...

Mete as águas no capote,

Quando o pão falta à barriga...

Brada alto a quem lhe liga,

Exprimindo a sua crítica...

E essa coisa da política,

Muito tem que se lhe diga...

IV

Um actor quando declama,

O que manda o sentimento...

Trova amor, sorte e lamento,

Pedindo paz como quem ama...

Trovador de cante e chama,

Que se exalta na caneta...

Entretido nesta faceta,

Vou rimando o meu prazer...

E como gosto de escrever,

Não sei se noutra me meta...

Petunia
Enviado por Petunia em 15/08/2008
Código do texto: T1129913