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Diário de um condenado

I

Querido diário: Não sei por onde começar,
Mas agora tenho muito a lhe escrever,
Coisas que a muito preciso lhe confessar!
Meu amigo oculto, sei que vais me entender!

E em cada linha que aqui se deflagrar,
Um pouco de minha memória será dito!
Pois quando escrevo, sei que pode me escutar,
Entendendo a tudo o que está escrito...

Então me exponho em palavras, e escrevo!
Relatando os erros, de quem sou um servo!
Destas histórias que dizem como sou...

Pois sou um pássaro que não mais voou,
Preso pela consciência que me condenou,
Onde agora preso, o mundo eu só observo!

II

Mas surpreso, me volto a ti, e indago!
Não reconhecendo, a quem lhe escreveu!
As letras parecem minhas, mas embargo!
Não pode ser a mim, que este descreveu...

No entanto ele traz memórias perdidas,
Coisas que fiz, e que desejei fazer,
Que foram por mim, todas esquecidas,
Quando num lapso, a memória me fez esquecer...

E agora, encontro-me aqui neste lugar,
Não sabendo como aqui vim parar,
Sendo taxado como um psicopata!

Eu juro que não sei nem como se mata!
Mas algo em sua história me maltrata,
Pois meu diário, você pode me relatar!

III

Você me diz que matei, com vontade de matar,
E ao ver o sangue no chão, eu também sangrei!
Pois a ira me roubou a razão naquele lugar,
Onde cego pela fúria, alguém assassinei...

Monstros bélicos foram estas minhas mãos,
Onde por elas, uma alma foi perdida,
Hoje me arrependo deste erro sem correção,
Mas nada traz ninguém de volta a vida...

Pois não somos semente e nem flor,
Ressurgindo em meio a uma dor,
De um ato sem clemência...

Mas dentro de minha consciência,
A vergonha serve como advertência,
Em cadência com meu ego destruidor...

IV

Amigo Diário, hoje em ti eu não me reconheço,
Ao reler-te, minha história parece não ter fim,
Pois me leva sempre de volta ao começo,
De uma inocência perdida, brincando em um jardim...

Quando não diferenciava um “não” de um “sim”
De quando os erros pareciam brincadeiras,
Tendo a cara de anjo e um sorriso de marfim,
Não diferenciando as sentenças verdadeiras...

Pois a educação forma o homem,
Mas as lembranças fortemente somem,
Ao ver um irmão morrendo de fome...

Enterrado e cova rasa, com uma cruz sem nome!
Sem flores, mas uma única vela,
Para quem sempre morou na favela...

V

Sei que andei perdido, e sem prefácios,
Nas linhas que se ondularam, e que eu escrevi,
Comparando-me às ruínas de um velho palácio,
Onde eu cai! E nunca mais me ergui...

Droga de sentimentos sem momentos,
Droga de momentos sem sentimentos,
Droga de palavras sem argumentos,
Droga de palavras jogadas aos ventos...

Tudo é imperfeito diante de Deus,
Mas nem diante os olhos seus,
Sei que não posso me regenerar!

Pois você nunca ira me negar,
O que secretamente tenho lhe falado!
Neste meu diário de um condenado!
Anjos ou Demônios
Enviado por Anjos ou Demônios em 20/02/2006
Código do texto: T114114
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Sobre o autor
Anjos ou Demônios
Salvador - Bahia - Brasil, 47 anos
16 textos (538 leituras)
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Anjos ou Demônios